Nada a Perder

Postado em Sem categoria em março 10th, 2010 por Rafael

Mesmo morando cerca de 5 quadras da USC, e seguindo Pirre Lévy no twitter, tive de ser avisado pelo Pedro, de que ele participaria da abertura de um Simpósio aqui perto de casa. Fiquei sabendo com certa antecedência, mas apesar do preço acessível, o fato de ter começado no novo emprego me impediu de fazer inscrição, pois teria de me ausentar do serviço.

Veja bem, o que me “impediu” foi o emprego. Acho que é importante demonstrar vontade de trabalhar e não ficar criando muitas situações difíceis no começo. Mas o que eu queria comentar aqui é sobre outro tipo de impedimento. Muitas vezes a vergonha nos impede de fazer pequenas coisas -eu particularmente senti isso a vida toda. Entretanto, conforme fui me tornando mais desapegado, também esse ponto começou a melhorar. Vergonha provém de um apego, uma valorização muito grande, da expectativa ou opinião dos outros sobre você. Esse desejo de ser bem visto faz com que nossas ações fiquem engessadas dentro de uma esfera de previsibilidade. não saímos do padrão para não provocar reações inesperadas.

Isso tudo foi só para tentar deixar mais rica, tal qual é para mim, a história dessa noite. Como disse, não fiz a inscrição, mas me disseram que a palestra seria em espaço aberto. Cheguei a pensar em não ir só pra não dar de cara com um “Não”. Ao me dar conta de que esse não era algo tão danoso, levantei imediatamente e fui pra lá. Realmente era aberto o lugar, mas a palestra era em francês e só teria fone com tradução quem estivesse inscrito. Fiquei lá tentando decifrar o francês quando percebo uma moça levantando, abaixando os fones e saindo apressada. Sem dúvidas, abordei ela na hora e perguntei se ela não ia usar, ela disse que não e concordou em passar ele pra mim. O Tutu -que tava na mesma situação- perguntou se eu conhecia ela e riu muito qdo eu disse que não. O próximo passo foi conseguir sentar nas cadeiras e pronto, vimos a palestra.
No fim, após, as perguntas, todo mundo levantou para tirar fotos com ele ou autografar livros e tal. Aí o Tutu me pergunta, assim como meu pai tinha feito pouco antes, por telefone, se eu não ia entregar um livro meu pra ele. Pro meu pai eu tinha dito que não, que provavelmente não haveria abertura, que o cara era estrangeiro e tal.. Mas ali, na hora, eu falei que ia, virei de costas e corri as 5 quadras e dois andares para pegar um exemplar do meu livro e voltar correndo antes que ele fosse embora. Veja bem, correr na rua, chegar suado perto de um cara de terno, entregar um livro sem falar uma palavra de tão cansado, parecem coisas que me deixariam envergonhado. Mas na verdade me deixaram muito feliz. Foi uma situação que eu nunca imaginei. Muito menos que ele apontaria para o hexagrama da capa, que eu uso no meu avatar do twitter, e diria “Já vi, já vi”.

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Não faço idéia se ele vai ler, se vai se interessar. Na verdade eu não espero nada com isso. Minha cabeça vergonhosa me dizia que o esforço de correr e tudo mais sem um objetivo muito claro era perda de tempo. Mas não existe perda de nada na somatória das experiências. No mínimo a gente ganha um causo pra contar.

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