Potismo

Postado em Sem categoria em março 26th, 2011 por Rafael

Isso vai ser um Réquiem à minha guitarra.

Ontem me despedi dela, junto com mais um monte de outras coisas da minha ex-casa. Foi um fim deveras apropriado, eu diria. Tão rápido quanto levaram meu sofá, minha guitarra torta e detonada foi levada por um mendigo que bebia Pedra 90. Eu sei que dificilmente irá acontecer, mas como apreciador da Música Esquisita não consigo deixar de imaginar que dessa combinação poderia sair algo como uma Pastoral Suite Surf Session ou mesmo um Planeta Lamma, de dois memoráveis compositores sem-teto: Moondog e Damião Experiênça, respectivamente.

Aquela guitarra era um símbolo da minha falta de cuidado com algumas coisas, mas também reflete um certo apreço que tenho por coisas consideradas feias. Certa vez estava desenhando  uns tribais haha e resolvi que queria desenhar algo “feio”. Comecei fazendo uma coisa que era o queixo, depois fiz um bico aí pensei “ele é tipo um pato… com chifre de bode” aí pensei em como deixar a palavra “pato” feia, e surgiu o Poto! Vim a saber mais tarde que poto, no espanhol do Peru e do Chile, significa bunda. Perfeito!

Voltando à guitarra, tinha deixado de usá-la quando ela começou a trastejar demais, e perdeu uma corda. Mas um dia resolvi experimentar umas distorções nela e fui brincar. Acabamos num transe de meia hora fazendo um som cavernoso pra caramba.. quando parei, senti que tinha feito a versão sonora do pato-bode! Desde então fui utilizando ela para fazer experimentos e experiências com o pessoal, sendo o Astonishing Atonal Act uma das melhores. Fui aos poucos fazendo coisas inspirado pelo Wooden Wand and The Vanishing Voice, mas também saíam coisas ao estilo Fred Frith e DNA.

A última experimentação que eu fiz nela foi substituir a corda Ré que faltava, por uma Mi, bem mais grossa, e deixá-la bem frouxa, isso fazia um som que não era grave, era simplesmente uma batida da corda no captador. Assim acoplei ao som da minha guitarra potista uma “caixa de bateria”. Um dos resultados mais interessantes disso foi a minha improvisação com a participação especial do famoso Screensaver Johnny Cast Away.

E assim, íamos fazendo nossos questionamentos a respeito do que é música, do que a compõe, o que é ruído, até onde podemos chamá-lo assim, o que é expressão, e por fim, o que é feio, belo, ou mesmo o que é legal? Nisso cito a frase que a Lu ouviu do cara e me transmitiu:

Cara.. que noite! Uma pinga…e uma guitarra!

E é isso!

Aqui vão alguns exemplos pra quem tiver curiosidade:

Astonishing Atonal Act (excerpt)


Neblina


Cast Away

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Tipografando pt2

Postado em Impresso, Making Of, Tipografia em agosto 13th, 2009 por Rafael

Dando continuidade ao post anterior, aviso que aquela proporção que aparece na imagem está passando por revisão.

Como eu disse, as proporções da página foram definidas a partir de uma melodia que eu fiz. O tom principal é o Cm, ou dó menor. O intervalo de 3ª menor, (-Mibemol), dá uma cara mais introspectiva e um pouco melancólica para a música. A mancha foi feita com o intervalo entre e o Sol, que dá a 5ª, que é um reforço do tom e está na proporção áurea. As linhas dentro das páginas duplas foram traçadas para encontrar os pontos e proporções áureas e assim encontrar o lugar para a mancha de texto,  as notas laterais, títulos correntes (que caíriam logo no começo) e notas de roda-pé.

Tudo isso parece muito legal, e é. Tanto que durou muito tempo. Mas o problema é que o intervalo de 3ª dá um livro largo. Irritantemente largo. Na proporção que eu fiz ele ficou com 16,3cm por 22,9cm. Ou seja, um pouquinho só maior que um A5. O formato do livro é legal, e serve tranquilamente para a internet, onde o livro abre fácil e muda de tamanho de acordo com a tela. Na mão a história muda um pouco.

As margens externas, onde vão os polegares, são maiores que o necessário, e as internas ficam próximas demais da espinha do livro. Além disso, por pouquinho ele não cabe nos meus bolsos hehe e um detalhe incomodativo é que para imprimir, eu tenho que pagar o preço de um A3 sendo que a maior parte dele é jogada fora.

Não tinha me dado conta disso até agora, justamente porque sempre que ia imprimir um boneco eu o redimensionava para caber em um A4. E é justamente o que estou tentando fazer agora. Redimensioná-lo tentando preservar essas proporções.

Pra quem tiver curiosidade de saber como a melodia soa, gravei um mp3 rapidinho. A proporção é baseada só no primeiro acorde, porque na verdade a música é modal, e varia bastante de tonalidade. Acho que assim como o texto, ela tem momentos mais sóbrios, momentos mais viajados/perdidos, e momentos afobados. Não reparem os errinhos, fazia um tempo que eu não tocava.

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