Samsara?

Postado em Filosofia de Buteco, Sem categoria em janeiro 1st, 2011 por Rafael

Feliz Ano Novo!

Continuando o post antes do anterior, vou voltar a falar sobre predeterminações. Não consegui ainda ler o livro “O Andar do Bêbado”, é claro, mas terminei de ler a matéria da Super sobre destino e uma outra matéria de uma edição anterior sobre como a genética pode identificar um psicopata.

A matéria sobre destino, dá a entender no começo, que falará sobre coincidências muito grandes como encontrar exatamente uma pessoa que você queria encontrar em algum lugar improvável. Mas fala um pouquinho sobre astrologia e horóscopo e depois continua principalmente falando sobre pré-disposições genéticas.
Algumas coisas são muito interessantes como os estudos com gêmeos separados no nascimento que tem hábitos e manias praticamente iguais. No geral, são apresentados exemplos de como atitudes nossas podem influenciar a genética de nossos filhos e assim o comportamento deles, e por conseguinte as coisas que irão acontecer com eles. Isso seria o destino.

Uma coisa que me chamou a atenção foi que algumas pesquisas parecem estar reitalizando as idéias de Lamarck (lembram dele?). No colegial, quando aprendi sobre evolução, não fiquei muito contente com a explicação sobre o neo-darwinismo que a professora deu. Ela disse que além da seleção natural entre várias espécies, haveria sempre o fator do crossing-over e mutações genéticas aumentando a variabilidade das espécies. Mas me pareceu que mutações aleatórias dariam um número tão grande de possibilidades, que parece não ter havido tempo suficiente para testar muitas, portanto, seria muita sorte as mutações sempre levarem ao indivíduo melhor adaptado. O que essas pesquisas mais recentes dizem, é que os genes não são tão imutáveis como se pensava, e que os fatores do ambiente podem influênciar mutações lentas, o que finalmente bateu com a minha intuição e me deixou mais satisfeito ^__^

Eu achei legais as informações e as pesquisas e acredito nesses resultados. Mas como sempre, eu gosto de olhar pra esses fatos adicionando outros pontos de vista, no caso filosofias orientais hehe.

Coincidência ou não, estava lendo também o “Sentido da Vida”, que é uma tradução de uma palestra do Dalai Lama. Achei que seria um livro mais voltado à ética ou auto-ajuda, mas na verdade é uma explicação técnica da roda cármica e a filosofia de causa e efeito do budismo/hinduísmo, e algumas partes me lembram muito a semiótica do Peirce. Isso acabou contribuindo para a análise dessa questão do Destino, levantada pela revista.

Quem me conhece talvez já tenha me ouvido falar que, a respeito de evolução, acho que as mutações são direcionadas pela consciência, dessa forma sendo mais efetivas. Segundo o Dalai, entre uma existência e outra, isto é, no momento anterior à reencarnação, sobra apenas a consciência mais sutil, desprovida de todas as características da consciência mais grosseira, como idioma, nome, paixões, etc, entretanto esta consciência carrega o carma acumulado nas diversas vidas e está preparada para gerar uma nova vida(efeito) resultada por alguma ação ocorrida em alguma das vidas passadas (causa). Nesse sentido, a cosciência sutil já sabe -ou já escolheu- quais serão as predisposições e as adversidades para aquele novo ser. A consciência escolheria um óvulo (ou coisa que o valha no caso de reencarnação em outras espécies) cujos pais e o entorno proporcionariam as situações almejadas para aquela nova vida. Uma pessoa poderia nascer bonita, ou feia, ou doente, etc.

Perguntaram ao Dalai se no caso de uma pessoa morrer atingida por um raio, a consciência é que teria criado o raio. O Dalai disse que não, mas que essa onisciência sutil poderia ter posicionado a pessoa em baixo do raio. Assim, assim um carma que geraria um psicopata na próxima existência, escolheria um feto portador do “gene-guerreiro” e que desenvolveria inatividade do córtex órbito-frontal e cujos pais seriam propensos à abusos ( as três características genéticas comuns aos psicopatas, segundo a matéria da Super).

Outra coisa que já devem ter me ouvido falando por aí, é que acho que qualquer coisa que procurarem por uma causa genética eu acho que vão encontrar. Simplesmente porque a matéria é o meio pelo qual as coisas imateriais têm para se manifestar. Assim como o som só existe na presença de máteria que vibra, uma intenção é acompanhada por variações hormonais. Essa relação intrínseca entre pensamento e corpo é objeto de estudo da ciência tradicional e gostaria de estudar um pouco mais sobre isso. De qualquer forma, os ciêntistas indianos parece que vão mais longe nas consequências disso. O endocrinologista Deepak Chopra fala sobre os poderes da mente em processos de cura e o físico Amit Goswami defende que a consciência sutil faz colapsar as ondas de possibilidade quânticas, gerando realidades concretas. Por consequência, o corpo sutil teria mesmo algum controle sobre o corpo físico e a matéria em geral!

Haha eu sei que é tenso, mas ao ler a matéria sobre os psicopatas, foi inevitável indagar se a consciência no momento da reencarnação não escolheria apenas os possíveis pais abusivos e ela mesma não influenciaria o material genético do feto a desenvolver as outras duas características para então gerar um possível psicopata.

Bom, isso é uma amostra de como penso, não necessariamente acredito em uma ou outra hipótese, mas gosto de conseguir enxergar as duas.

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Coincidência ou não

Postado em Filosofia de Buteco, Sem categoria em dezembro 25th, 2010 por Rafael

Aconteceram algumas coisas interessantes (para a minha imaginação fértil apenas) que me fizeram querer escrever por aqui de novo. Apenas coisas banais, que minha cabeça começou a relacionar.

Uma vez minha professora de Sociologia ficou visivelmente irritada, quando eu comentei numa discussão que a internet parecia ajudar a enxergar que o comportamento humano numa escala macro parece um cardume de peixes. Eu quis dizer que é engraçado ver as tendências, as modas pegando, e a internet parece ajudar a visualizar esse processo. Acho que se eu tivesse colocado dessa maneira ela não teria ficado nervosa. De qualquer forma, lembrei disso outro dia quando estava procurando algum vídeo bobo na internet e achei o Joel Santana Auto-tune.

Na hora, me lembrei que o Pedro Oliveira, tinha comentado sobre “auto-tunes” muito tempo atrás. O Pedro é o cara que, pra mim, sempre esteve na vanguarda do que viria a ser moda. Ele me mostrou o twitter tanto tempo antes de o negócio pegar, que eu simplesmente não entendia para o que aquilo podia servir. Como na vez do twitter, nem prestei atenção do negócio dos “auto-tunes” na época e só agora resolvi checar. Achei engraçado, vi mais alguns relacionados, dei risada e depois fui ver TV. Para a minha surpresa, a mensagem de encerramento do fantástico era um auto-tune com os globais e a música que encerrou o Pânico na TV era o auto-tune do Zagallo!

Eu não sei se isso é uma modinha, se vai aparecer mais vezes ou não. O interessante foi a coincidência. Tanto de ter visto na TV o que eu tinha visto no youtube, quanto de mais uma vez o Pedro ter sido “profético” haha. Lembrei também de uma vez, quando era pequeno, ouvir minha vó usar a palavra “ensejo”, e de perguntar o significado dela, pois não conhecia. Naquela mesma semana ouvi ou li “ensejo” em vários lugares. Não acho que seja coincidência, acho que é aquele negócio de você descobrir uma coisa e aí sim conseguir achar ela por aí. Tipo, acho que nunca tinha reparado o quanto se usa Monotype Corsiva por aí até ter usado ela num trabalho. Mas ainda no assunto das coincidências, quando cheguei aqui em Itanhaém, meu irmão estava abrindo a Superinteressante do mês que vem (jan 2011, 287), que fala sobre Destino.

Comecei a ler a matéria, mas ainda não terminei. De qualquer forma, ela começa falando que nosso cérebro tem um defeito genético que nos faz procurar sentido em tudo. E logo em seguida diz algo como “você vai entender do que estou falando, Rafael”. O autor completa dizendo que se o leitor se chama Rafael, ele provavelmente se sentirá especial. Bom, eu me chamo Rafael, e por mais que eu estivesse ciente de que ele estava brincando com probabilidades, tenho que admitir que é difícil não ficar intrigado. Até o terceiro ano de faculdade, eu nunca tinha sido o único Rafael da classe, então não deveria estranhar, mas não é o que acontece no primeiro contato com uma coincidência.

Para completar, ganhei de presente o livro “O Andar do bêbado-como o acaso determina nossas vidas“, de Leonard Mlodinow. Nada aleatório, já que eu pedi ele na nossa listinha, assim como também não acho estranho o fato de ter ganhado dois dele! O livro fala justamente sobre aleatoriedade  e discute a nossa dificuldade nata de interpretar eventos não-correlatos. Parece bem interessante e divertido. Vou ler os dois, a matéria e o livro, e depois tento compartilhar o que achei. ^___^

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