Capas

Postado em grafismos, ilustração, Impresso, Making Of em novembro 18th, 2009 por Rafael

Muita gente elogiou a capa do livro durante o evento. Em grande parte pelo efeito do verniz, que traz uma certa interatividade lúdica, um joguinho de ficar mexendo o livro pra tentar ver o desenho -que é justamente o que eu queria, e fico muito satisfeito por ver que funcionou. Mas também vieram elogios direcionados ao próprio desenho. O que me deixa bem aliviado, já que demorei muito pra chegar nesse desenho final.

Como comentei num post passado, eu mudei diversas vezes a capa do livro, mas na verdade eram derivações e melhoramentos de um rascunho original a mão, todo livre, que muito me apetecia. Depois de definidos os elementos-chave das ilustrações, refiz o desenho, partindo de formas geométricas, circulos concêntricos e proporções áureas, que deu nisso. O problema, sempre aprecia na hora de vetorizar, pois a minha falta de familiaridade com essa técnica fazia o desenho perder a vida que tinha no papel, mas mesmo assim este saiu até que bom. E dei por finalizado o livro. Mas algo não estava bem, falatava uma comunicação interna no livro -capa, ilustrações, texto e títulos estavam só dispostos no mesmo lugar mas não formavam um conjunto.

Foi então que vieram as aberturas de capítulo, reservando um espaço justo para ilustrações e títulos. Elas criaram uma unidade no texto, e como consequência, chutaram para fora a minha tão suada capa, anterior. Mas tinha que ser assim. Fiquei muito mais satisfeito com essa.  Engraçado que na primeira impressão para teste dela, um sujeito que estava ao meu lado na gráfica disse que gostou, mesmo sem saber do que se tratava haha.  Bom, agora eu tinha um disposição nova dos elementos,  e a necessidade de um desenho novo. Aí fui fazendo tudo de novo. Aqui tem algumas imagens geradas durante o processo.

Outro detalhe engraçado é que esse desenho final, antes formava uma “bundinha” embaixo haha que causava um certo desconforto. Aí um dia olhando pro desenho e quase ficando cansado dele, deitei no chão e ví que o tampo da mesa formava tipo uma mesa de luz, e resolvi sobrepor dois rascunhos! haha e assim as asas de mazda entraram no desenho, me deixando muito mais satisfeito. ^__^

depois volto aqui pra postar os respectivos links “pingo” de volta pra cá

bjos!

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Estilo dos Elementos

Postado em ilustração, Making Of em agosto 20th, 2009 por Rafael

Então eu tinha um texto e vontade de ilustrá-lo. Tinha uma idéia do aspecto geral que o visual dele deveria passar, mas ainda precisava definir elementos mais específicos, o traço, o acabamento, o peso, volume e principalmente os símbolos e signos. Toda produção capta símbolos ao seu redor e os mescla, resignificando-os, atualizando-os em algo novo. Ou seja, tudo que eu fizer vai ter cara de alguma coisa e vai se valer de elementos específicos que eu escolher usar. O que me faltava era escolher e definir esses elementos.

Eu já tinha uma idéia vaga de que deveria usar alguns elementos da cultura hindu, visto que me identifiquei muito com ela enquanto escrevia o texto, mas não queria só fazer uma decoração indiana no texto, queria algo mais. Aconteceu de, num certo dia, eu e a Lu irmos num sebo daqui de Bauru. Ela queria comprar um livro e eu entrei junto, nem ia levar nada, quando de repente ví lá no fundo um livro chamado O Continente Perdido de Mu! Tive que comprar haha! Mu era o nome de uma música do Sun Ra, que sempre me intrigou.

Foi essa razão que me levou a comprá-lo. Não sabia eu, porém, que no texto o autor, um coronel pseudo-arqueólogo discorre justamente sobre símbolos e signos de culturas ancestrais. O livro foi muito divertido de ler, o cara conta uma revisão maluca de toda a evolução da humanidade, apoiando suas teses na decifração de signos recorrentes em todas as culturas arcaicas, que seriam reminescencias de Mu.

O que importa para o projeto nisso, é a idéia de que elementos aparentemente decorativos -como se supunham os hieroglífos- podem esconder uma linguagem, muitas vezes intrincada, podendo inclusive, alterar totalmente a interpretação do contexto onde se insira. De certa forma isso ajudava a dar um propósito aos desenhos que gostaria de fazer. Como disse em algum outro post, o texto não necessita de ilustrações. Elas não precisam ser explicativas, e assim ganham a liberdade de contar uma história paralela ou indicar de certa maneira uma outra leitura para tudo aquilo.

Esse desenho aqui foi a primeira versão da capa (que passou por muitas mudanças). Ela foi feita num dia bem inspirado, escutando Sun Ra e deixando a mão fluir. Eu não pensei em muita coisa enqto fazia, mas nela dá pra perceber a falta de acerto no uso de signos: junto com os rabiscões abstratos tem um yin-yang, um Om, caneta e lápis, uma lótus estilizada, nuvenzinhas, hexagramas e etc. Eu gosto até hoje da disposição das coisas mas essa simbologia precisava ser revista.

Primeira Capa

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