Sobre o Texto

Durante o fim de 2006, uma época muito diferente da minha vida estava chegando ao seu ápice. Dois anos de faculdade, vivendo apenas com amigos -muitos amigos- conversando sobre tudo o que o tempo livre e o entusiasmo permitem que conversemos. A empolgação impulsionava o desejo sincero de melhorar as coisas, de lutar pela faculdade, de lutar pelo mundo, pelo próximo. Conversas na faculdade, em casa e em encontros estudantis faziam tudo borbulhar ainda mais. As discussões iam longe na duração e na profundidade. Falávamos de tecnologia, política, espiritualidade, ciência, educação, e tudo o mais. Um ou outro conflito surgia mas sempre predominou a satisfação resultante de uma boa conversa, e a sensação de alma mais cheia.

Tudo isso tinha que explodir para alguma direção! Algo tinha de ser feito com isso! Quem estourou a bolha foi Rodrigo Branco -meu amigo de infância que por coincidência fez um ano de faculdade em Bauru-  ao aventar a possibilidade de eu escrever um livro.

E foi exatamente o que fiz. Mas sem pretensão nenhuma. Comecei a escrever de repente, numa das madrugadas em que acordava de tanta atividade cerebral. Tudo veio naturalmente, sem cobranças. Tudo foi escrito na mão, muitas vezes com meses de distância entre cada parágrafo. A técnica era esquecer que estava escrevendo algo até surgir algo que realmente pedisse para ser escrito. Isso durou até o começo de 2008. Digo que durou até aí porque foi quando naturalmente um “final” apareceu e a vontade de utilizar aquilo para alguma coisa mais prática me fez perceber que chegara a hora de me envolver de outra maneira com ele.

O desenvolvimento do texto foi como acordar num domingo lindo e dar uma volta para qualquer lugar, bem atento à paisagem. Qualquer lugar é óbviamente indefinido, e eu poderia simplesmente andar até onde minhas pernas tivessem força, mas se eu queria contar o que tinha visto para meus amigos, era bom que eu voltasse pra casa.

Bastante tempo se passou desde o primeiro fechamento do conteúdo até a primeira idéia do projeto gráfico (que também veio num surto noturno). Mais uma vez, a técnica foi praticamente esquecer que tinha escrito um texto até que ele me acordasse na forma de um livro. Durante o desenvolvimento do projeto, reli muito do que tinha escrito, vivenciei muito do que tinha escrito. Algumas idéias ficaram mais fortes outras mais fracas. Acrescento ou altero alguma coisa até hoje. Fiz isso ontem e vou fazer um pouquinho amanhã. Me modifiquei bastante ao longo do tempo mas me contive ao modificar o texto. Não seria justo com ele.

se você achou que aqui teria algo como uma sinopse, já viu que se enganou. Convido você a matar a curiosidade lendo o próprio. É rapidinho!