‘Segundas’ Tormentas

Postado em ilustração, Impresso, Making Of em setembro 11th, 2009 por Rafael

Bem como o texto sugere, a maioria das ilustrações simplesmente surgiu. Na época das primeiras ilustrações e das capitulares eu tinha uma boa rotina de yoga matinal e meditação, o que ajudava a controlar a ansiedade e prestar atenção nas flutuações de inspiração. Muitas vezes, pensar muito sobre o desenho te confunde. Se aquilo realmente importa, sua cabeça ficará trabalhando no problema em segundo plano, o que importa é você estar atento para quando ela aparecer com a solução. Com o tempo a rotina foi mudando drásticamente e isso foi ficando cada vez mais difícil…

primeira ilustração

Essa surgiu bem de manhã, logo após acordar. Claro que ela não saiu assim, saiu foi um rabiscão, mas com a idéia geral pronta. Foi utilizada na folha de rosto, como pode ser visto aqui. Infelizmente  perdeu se lugar na versão final.(Quem sabe não ache um né?) Outras já tinham uma localização mais definida pois eram referentes à determinadas partes do texto. Acontece que o texto não tinha sido diagramado pensando nelas. A idéia é que elas seriam desenhadas levando em consideração o espaço onde elas pudessem se encaixar.

samabaia

copo-de-leite

armadura vazia

Essas acabaram ficando de fora, mas outras conseguiram se adaptar e figurar na versão final

instrumentos

mandala

A pesar de essa idéia ter sido realmente planejada assim, só vendo o resultado final, com vários desenhos, é que vi a falta de uniformidade no conjunto. Na verdade foi a Cássia quem me apontou isso -até falar com ela eu só sentia o desconforto. Isso foi um dos principais fatores que me fizeram recomeçar tudo de novo quase no final do primeiro semestre. Mas valeu a pena.

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*canseira

Postado em Sem categoria em setembro 11th, 2009 por Rafael

Nossa, fiquei esse tempo sem postar pq tive que adiantar algumas coisas no serviço, viajar e muito do tempo livre foi gasto pra fazer as duas ilustrações finais, corrigir algumas coisas e falar com gráficas. Que aliás é o que tem sido mais cansativo do mundo! haha

Acho que isso se deve à soma de duas coisas: a inexperiência da minha parte em fazer o contato, e o excesso de experiência desses caras com gente leiga. Tipo, eu peço orçamento para uma capa de tamanho tal, branco e roxo mais aplicação de verniz UV, frente, no papel preto em serigrafia. E recebo o orçamento para UMA cor!

Eu entendo que o mais normal é que quando a capa é preta e escrito em branco, o branco seja do papel e o preto seja um chapado de tinta, mas eu já pedi em serigrafia por isso, digo q forneço o papel e tal.. aff

Fora isso os caras ainda ficam dando um monte de palpite no seu projeto, te oferecem sempre o mais básico e barato, tipo, eu até entendo, mas eu quero justamente o diferente.

aff.. chega haha

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Capitulares

Postado em ilustração, Making Of, Tipografia em agosto 31st, 2009 por Rafael

A definição desse conceito incentivou um longo tempo de pesquisa e produção. Eu já estudava essas coisas por vontade própria, mas utilizar isso para o projeto tornou a coisa mais interessante ainda. Após a capa, retomei as capitulares. Já postei isso antes, mas aqui fica mais contextualizado hehe.

Cada capítulo possui sua própria capitular, com um hexagrama do i-ching que representa o sentido geral do capítulo, além de outros elementos como runas nórdicas, hieroglifos maias ou egípcios, inscrições em sânscrito, e símbolos em geral que reforçam o sentido do hexagrama ou apontam para outros conteúdos do capítulo. Algumas letras como os Es, possuem um espaço grande vazio, que foi tomado com liberdade para um desenho mais livre.

Capitulares

Esse conceito também deveria ser aplicado às ilustrações do texto, mas como aplicar isso se mostrou muito mais difícil do que eu imaginava, o que levou a muitas ilustrações descartadas que provavelmente só vão figurar neste blog hehe, portanto fiquem ligados haha

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*andamento

Postado em Sem categoria em agosto 31st, 2009 por Rafael

Pessoas, a pequena pausa nos posts aqui foi devida ao próprio projeto. Dei uma adiantada forte e importante em algumas coisas e acabei de mandar a capa para a gráfica, imprimir o fotolito!

Pra falar a verdade esse momento foi adiado tantas vezes que tava achando que era capaz de não acontecer. Bom, vamos que vamos, e terminar logo esse extenso e “expensivo” trabalho.

bjos

*mudanças

Postado em Sem categoria em agosto 28th, 2009 por Rafael

Como disse, esse espaço aqui vai ficar sofrendo atualizações e alterações sempre que eu tiver tempo. hehe

Ontem sobrou um tempinho e eu fiz uma Ação no Photoshop (beeem tosquinha haha) pra gerar miniaturas pras imagens que quero postar aqui.

bjos

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Evolução

Postado em ilustração, Making Of em agosto 26th, 2009 por Rafael

Para dar uma idéia de como a fixação de alguns elementos chave influenciou as ilustrações vou colocar as etapas pelas quais a capa passou hehe.

Como  mostrado, esse foi o primeiro esboço, bem livre, com uns abstratos e alguns simbolos batidões.

Primeiro esboço

Esse é o esboço reformado no ilustrator. Eu sou muito ruim no ilustrator, e era pior ainda na época,  isso fez sair um desenho que não tinha muita identificação comigo. Os abstratos que são mais a minha cara deram espaço para mais símbolos batidões…

Depois de definir aquelas diretrizes, defini as capitulares e reformulei a capa.

Essa é a versão ilustrator da capa e contra-carpa reestruturada com os elementos melhor definidos

Essa última eu gostei bastante, foi finalizada no começo desse ano e me fez achar que o livro estava pronto. Mas no fundo algo não batia bem, e resolvi falar com a Cássia, professora de tipografia da Lu, que trabalha com livros.

Aí mutou tudo de novo haha

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Elementos do Estilo pt2

Postado em ilustração, Making Of em agosto 24th, 2009 por Rafael

Foi durante o N Manaus, em 2008, que fixei pela primeira vez os elementos que comporiam a identidade visual do livro. Inspirado pelo Continente perdido de Mu, comecei a pesquisar mais sobre simbologias das culturas que me interessavam e que de alguma forma interpretavam o mundo de maneira parecida com a que eu interpreto no livro. Arranjei um outro livro, Deuses, Túmulos e Sábios -esse sim de arqueologia mesmo- que conta de uma maneira romanceada os grandes feitos da arqueologia.  Confesso que tudo isso até me tirou um pouco dos trilhos, mas eu tinha tempo suficiente para viajar.

Depois de estudar bastante, rabiscando num bloquinho, saiu a idéia de que o tal do padrão do “novo mito” que eu tinha escrito lá longe, no rabiscão do conceito original, poderia ser uma mestiçagem de vários signos antigos, que serviriam como uma história secreta, um código que decifrado, daria uma nova interpretação à algumas passagens do texto.

O legal é que eu fui anotando o que deveria juntar: ícones chineses, hindus e científicos que somados à mais alguns davam uma coisa muito Sun Ra! haha achei engraçado e saquei que aquilo fazia muito sentido, afinal, sempre me inspirei de alguma forma nele.

Assim, os desenhos foram tomando forma e mais coerência entre si. Mas ainda havia um grande percurso pela frente.

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Estilo dos Elementos

Postado em ilustração, Making Of em agosto 20th, 2009 por Rafael

Então eu tinha um texto e vontade de ilustrá-lo. Tinha uma idéia do aspecto geral que o visual dele deveria passar, mas ainda precisava definir elementos mais específicos, o traço, o acabamento, o peso, volume e principalmente os símbolos e signos. Toda produção capta símbolos ao seu redor e os mescla, resignificando-os, atualizando-os em algo novo. Ou seja, tudo que eu fizer vai ter cara de alguma coisa e vai se valer de elementos específicos que eu escolher usar. O que me faltava era escolher e definir esses elementos.

Eu já tinha uma idéia vaga de que deveria usar alguns elementos da cultura hindu, visto que me identifiquei muito com ela enquanto escrevia o texto, mas não queria só fazer uma decoração indiana no texto, queria algo mais. Aconteceu de, num certo dia, eu e a Lu irmos num sebo daqui de Bauru. Ela queria comprar um livro e eu entrei junto, nem ia levar nada, quando de repente ví lá no fundo um livro chamado O Continente Perdido de Mu! Tive que comprar haha! Mu era o nome de uma música do Sun Ra, que sempre me intrigou.

Foi essa razão que me levou a comprá-lo. Não sabia eu, porém, que no texto o autor, um coronel pseudo-arqueólogo discorre justamente sobre símbolos e signos de culturas ancestrais. O livro foi muito divertido de ler, o cara conta uma revisão maluca de toda a evolução da humanidade, apoiando suas teses na decifração de signos recorrentes em todas as culturas arcaicas, que seriam reminescencias de Mu.

O que importa para o projeto nisso, é a idéia de que elementos aparentemente decorativos -como se supunham os hieroglífos- podem esconder uma linguagem, muitas vezes intrincada, podendo inclusive, alterar totalmente a interpretação do contexto onde se insira. De certa forma isso ajudava a dar um propósito aos desenhos que gostaria de fazer. Como disse em algum outro post, o texto não necessita de ilustrações. Elas não precisam ser explicativas, e assim ganham a liberdade de contar uma história paralela ou indicar de certa maneira uma outra leitura para tudo aquilo.

Esse desenho aqui foi a primeira versão da capa (que passou por muitas mudanças). Ela foi feita num dia bem inspirado, escutando Sun Ra e deixando a mão fluir. Eu não pensei em muita coisa enqto fazia, mas nela dá pra perceber a falta de acerto no uso de signos: junto com os rabiscões abstratos tem um yin-yang, um Om, caneta e lápis, uma lótus estilizada, nuvenzinhas, hexagramas e etc. Eu gosto até hoje da disposição das coisas mas essa simbologia precisava ser revista.

Primeira Capa

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Elementos do Estilo

Postado em Making Of, Tipografia em agosto 18th, 2009 por Rafael

Como disse no fim do post anterior, a falta de verba e vontade de fazer coisas por conta própria sempre me estimularam a encarar desafios interessantes. No caso, o desenvolvimento de uma tipografia pro livro. Fora a procura por uma fonte híbrida para texto ou títulos eu também estava em busca de um conjunto de capitulares

A primeira citação do texto é do William Morris, cujo trabalho, inspirado na natureza, rico em detalhes dedicação, muito me inspira. Para dar o livro aquela aparencia detalhista, meio clássica meio sacra, pensei em dar ao texto capitulares bem trabalhadas. Fui direto atrás das capitulares desse designer, e achei a Golden Type, que achei em primeiro momento adequada e bem bonita. Mas, mais uma vez, era paga! haha e eu não tinha como comprar ainda. Procurei umas similares free, mas na verdade elas não eram boas, e inclusive a que eu achei melhor ainda tinha incompatibilidade com pdf!

O minicurso do Tipocracia, mais uma vez, foi uma mão na roda. Aprendemos um básico do básico da construção de uma letra, e apartir disso desenvolvi as outras. Peguei as que seriam usadas na abertura dos capitulos emoldurei e imprimi para decorá-las na mão, onde sou mais sincero. Já que faria isso, percebi que não precisava desenhar apenas um “A” como as fontes prontas de uso genérico. Resolvi que apesar de uma letra repetir, eu desenharia uma decoração diferente para cada capítulo, fazendo com que ela tivesse ligação com ele.

Aqui vão algumas etapas do desenvolvimento. O interessante é reparar que os primeiros desenhos, apesar de legais independentemente, não formavam conjunto. A identidade visual estava custando a se definir. E vou puxar como tema do próximo post essa dificuldade e a definição dos elementos que ajudariam a compor o livro.

Sketchs

Primeiros Testes

Produzindo as versões finais

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Tipografando pt3

Postado em Making Of, Tipografia em agosto 15th, 2009 por Rafael

Ainda sobre o conceito que definiria a tipografia do livro, pensei em escolher com um pouco mais de atenção qual seria o tipo, a fonte, do texto. Uma das coisas que tinha imaginado à princípio era que a natureza misturada do texto, que puxa informações de varios lugares diferentes, poderia ser traduzida em uma tipografia híbrida, uma fonte híbrida!

Não sabia direito como fazer isso nem por onde começar a pesquisar, quando, por um acaso desses que acontecem, nosso amigo Henrique Nardi pediu ao coletivo deusmoleque que fizesse o cartaz do seu curso Tipocracia, que ele viria para Bauru, ministrar. Por esse trabalho, pudemos participar da oficina! Isso foi de uma grande ajuda! Aprendi um pouco mais sobre a história dos tipográfos e de suas fontes, em que momento da história estavam inseridos e tal. E conheci a Rotis, de Otl Aicher, uma Semi-Serifada muito estilosa que eu achava que vira em algum lugar. Realmente, beeem mais tarde, descobri que é a fonte do texto do livro Transdesign, do meu orientador, Dorival Rossi.

Gostei muito da fonte, mas ela é paga e na época eu não tinha como gastar dinheiro com isso. Mantive provisóriamente os títulos com Phosphorous, uma fonte que acho legalzinha e trabalhei o texto com Caslon, uma serifada bem clássica, sóbria, de boa leitura e cuja família comporta todas as variações que o texto exigia. Ao mesmo tempo fui procurando outras semi-serifadas e híbridas, misturas de góticas com bastonadas e etc, mas nada caía bem…Até que um ano depois, quando já tinha dinheiro, e ía de fato comprar a Rotis, achei a Museo! Que caiu como uma luva. Mas explicação disso é uma outra história, hehe.

O mais legal é que nesse meio tempo, a falta de dinheiro, a dificuldade de encontrar uma fonte que eu gostasse e o já citado espírito do-it-yourself, me fizeram desenvolver minha própria fonte! hahah que será assunto do próximo post.

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