Overtures

Postado em grafismos, ilustração, Making Of, Tipografia em novembro 13th, 2009 por Rafael

No post anterior eu falei sobre os fractais que pûs no livro, mas percebi que não faz muito sentido falar deles sem falar das… tcharam… aberturas de capítulo! Afinal, sem elas os fractais não teriam uma frente para fazer verso hehe. Mas realmente isso foi um fator importante no desenvolvimento do projeto. Como já falei, no meio desse ano, achei que o livro estava pronto, mas não me sentia muito satisfeito. E só conversando com a professora Cássia é que me dei conta de que os elementos estavam muito jogados, e de certa forma desvalorizados.

Esses elementos seriam: nome do capítulo, citação e autor, ilustração e… realidade aumentada! haha desde o começo desse ano eu tinha vontade de fazer alguma interatividade com a webcam, e sabia que eu ia precisar de algo com contraste forte pra funcionar, mas não tinha pensado sério a respeito. Quando decidi usar os hexagramas pra fazer esse contraste gostei muito, mas eles ficaram ruins no meio do texto.

Resolvi então começar todos os capítulos em página ímpar. Primeiro viria uma página de abertura, e em seguida -novamente em página ímpar- viria o páragrafo inicial com capitular. Rapidamente me veio a idéia de botar os elementos centralizados, montando uma faixa estreita no centro. Peguei uma folha do tamanho parecido com o final e dobrei ela nos terços e comecei a traçar as linhas áureas, que me deram a largura da faixa e as alturas dos elementos.

No fim, as aberturas de capítulos me deram a oportunidade de valorizar muitos elementos ao mesmo tempo, inclusive os hexagramas com contraste pesado. E eles ficaram tão legais que tive que repensar a capa para incluir um tb. mas isso fica pro próximo post.

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Não-Escrita

Postado em Impresso, Making Of, Relatório, Tipografia em setembro 18th, 2009 por Rafael

Hoje comecei, finalmente, a rascunhar o relatório pro projeto. Percebi que estou bem enferrujado. Comecei meio que pelo começo desse tipo de texto, ou seja, pela contextualização histórica do tema. Falei então um pouco sobre a história da comunicação para entrar na crise do impresso gerada pela digitalização da escrita. Aí percebi uma coisa: Meu braço começou a doer

Talvez por não ter mais aula, devo ter escrito muito pouco na mão esse ano. No computador, por outro lado, escrevi bastante, uma boa parte da minha comunicação com minha família é feita por escrito. Percebi também que apesar de ter duas impressoras em casa, nenhuma delas têm tinta faz muito tempo. No semestre passado, o Prof. Plácido, pediu para entregar os relatórios finais em CD. Isso realmente faz a gente pensar na possibilidade do declínio do Império Impresso.

Mas apesar disso é interessante lembrar que o livro foi todo rascunhado na mão. (aliás, muito no começo, cogitei publicar o livro direto na caligrafia -isso se ela fosse bonita ou legível haha). Sempre preferi rascunhar na mão os textos, assim como prefiro essa superfície para fazer sketchs. Acho que a facilididade de poder rabiscar em qualquer lugar, e principalmente a relativa dificuldade em apagar, são muito benéficas à inspiração e à qualidade do produto. Ver o papel iluminado pelo sol, quentinho, ou então ajustar o texto ou desenho em relação ao formato do papel que você tem são coisas muito interessantes do ponto de vista da criatividade. Assim como ainda me parece muito inspirador e confortável apreciar desenhos e textos impressos.

Esse título do post era o nome de uma redação que fiz na quinta ou sexta série, que era uma ficção sobre uma ditadura que reprimia a escrita e substituía a comunicação por ícones, daí os revolucionários -que eram o povo, que era quem confeccionava os sinais- começa a construir os símbolos com texto. Hahaha bem designer né? Como esse texto foi escrito no computador eu tenho ele até hoje comigo, se fosse no papel acho que não seria bem assim.

Ah, e a ferrugem no fluxo das idéias, coerência e coesão espero sanar por aqui.
bjos

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Capitulares

Postado em ilustração, Making Of, Tipografia em agosto 31st, 2009 por Rafael

A definição desse conceito incentivou um longo tempo de pesquisa e produção. Eu já estudava essas coisas por vontade própria, mas utilizar isso para o projeto tornou a coisa mais interessante ainda. Após a capa, retomei as capitulares. Já postei isso antes, mas aqui fica mais contextualizado hehe.

Cada capítulo possui sua própria capitular, com um hexagrama do i-ching que representa o sentido geral do capítulo, além de outros elementos como runas nórdicas, hieroglifos maias ou egípcios, inscrições em sânscrito, e símbolos em geral que reforçam o sentido do hexagrama ou apontam para outros conteúdos do capítulo. Algumas letras como os Es, possuem um espaço grande vazio, que foi tomado com liberdade para um desenho mais livre.

Capitulares

Esse conceito também deveria ser aplicado às ilustrações do texto, mas como aplicar isso se mostrou muito mais difícil do que eu imaginava, o que levou a muitas ilustrações descartadas que provavelmente só vão figurar neste blog hehe, portanto fiquem ligados haha

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Elementos do Estilo

Postado em Making Of, Tipografia em agosto 18th, 2009 por Rafael

Como disse no fim do post anterior, a falta de verba e vontade de fazer coisas por conta própria sempre me estimularam a encarar desafios interessantes. No caso, o desenvolvimento de uma tipografia pro livro. Fora a procura por uma fonte híbrida para texto ou títulos eu também estava em busca de um conjunto de capitulares

A primeira citação do texto é do William Morris, cujo trabalho, inspirado na natureza, rico em detalhes dedicação, muito me inspira. Para dar o livro aquela aparencia detalhista, meio clássica meio sacra, pensei em dar ao texto capitulares bem trabalhadas. Fui direto atrás das capitulares desse designer, e achei a Golden Type, que achei em primeiro momento adequada e bem bonita. Mas, mais uma vez, era paga! haha e eu não tinha como comprar ainda. Procurei umas similares free, mas na verdade elas não eram boas, e inclusive a que eu achei melhor ainda tinha incompatibilidade com pdf!

O minicurso do Tipocracia, mais uma vez, foi uma mão na roda. Aprendemos um básico do básico da construção de uma letra, e apartir disso desenvolvi as outras. Peguei as que seriam usadas na abertura dos capitulos emoldurei e imprimi para decorá-las na mão, onde sou mais sincero. Já que faria isso, percebi que não precisava desenhar apenas um “A” como as fontes prontas de uso genérico. Resolvi que apesar de uma letra repetir, eu desenharia uma decoração diferente para cada capítulo, fazendo com que ela tivesse ligação com ele.

Aqui vão algumas etapas do desenvolvimento. O interessante é reparar que os primeiros desenhos, apesar de legais independentemente, não formavam conjunto. A identidade visual estava custando a se definir. E vou puxar como tema do próximo post essa dificuldade e a definição dos elementos que ajudariam a compor o livro.

Sketchs

Primeiros Testes

Produzindo as versões finais

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Tipografando pt3

Postado em Making Of, Tipografia em agosto 15th, 2009 por Rafael

Ainda sobre o conceito que definiria a tipografia do livro, pensei em escolher com um pouco mais de atenção qual seria o tipo, a fonte, do texto. Uma das coisas que tinha imaginado à princípio era que a natureza misturada do texto, que puxa informações de varios lugares diferentes, poderia ser traduzida em uma tipografia híbrida, uma fonte híbrida!

Não sabia direito como fazer isso nem por onde começar a pesquisar, quando, por um acaso desses que acontecem, nosso amigo Henrique Nardi pediu ao coletivo deusmoleque que fizesse o cartaz do seu curso Tipocracia, que ele viria para Bauru, ministrar. Por esse trabalho, pudemos participar da oficina! Isso foi de uma grande ajuda! Aprendi um pouco mais sobre a história dos tipográfos e de suas fontes, em que momento da história estavam inseridos e tal. E conheci a Rotis, de Otl Aicher, uma Semi-Serifada muito estilosa que eu achava que vira em algum lugar. Realmente, beeem mais tarde, descobri que é a fonte do texto do livro Transdesign, do meu orientador, Dorival Rossi.

Gostei muito da fonte, mas ela é paga e na época eu não tinha como gastar dinheiro com isso. Mantive provisóriamente os títulos com Phosphorous, uma fonte que acho legalzinha e trabalhei o texto com Caslon, uma serifada bem clássica, sóbria, de boa leitura e cuja família comporta todas as variações que o texto exigia. Ao mesmo tempo fui procurando outras semi-serifadas e híbridas, misturas de góticas com bastonadas e etc, mas nada caía bem…Até que um ano depois, quando já tinha dinheiro, e ía de fato comprar a Rotis, achei a Museo! Que caiu como uma luva. Mas explicação disso é uma outra história, hehe.

O mais legal é que nesse meio tempo, a falta de dinheiro, a dificuldade de encontrar uma fonte que eu gostasse e o já citado espírito do-it-yourself, me fizeram desenvolver minha própria fonte! hahah que será assunto do próximo post.

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Tipografando pt2

Postado em Impresso, Making Of, Tipografia em agosto 13th, 2009 por Rafael

Dando continuidade ao post anterior, aviso que aquela proporção que aparece na imagem está passando por revisão.

Como eu disse, as proporções da página foram definidas a partir de uma melodia que eu fiz. O tom principal é o Cm, ou dó menor. O intervalo de 3ª menor, (-Mibemol), dá uma cara mais introspectiva e um pouco melancólica para a música. A mancha foi feita com o intervalo entre e o Sol, que dá a 5ª, que é um reforço do tom e está na proporção áurea. As linhas dentro das páginas duplas foram traçadas para encontrar os pontos e proporções áureas e assim encontrar o lugar para a mancha de texto,  as notas laterais, títulos correntes (que caíriam logo no começo) e notas de roda-pé.

Tudo isso parece muito legal, e é. Tanto que durou muito tempo. Mas o problema é que o intervalo de 3ª dá um livro largo. Irritantemente largo. Na proporção que eu fiz ele ficou com 16,3cm por 22,9cm. Ou seja, um pouquinho só maior que um A5. O formato do livro é legal, e serve tranquilamente para a internet, onde o livro abre fácil e muda de tamanho de acordo com a tela. Na mão a história muda um pouco.

As margens externas, onde vão os polegares, são maiores que o necessário, e as internas ficam próximas demais da espinha do livro. Além disso, por pouquinho ele não cabe nos meus bolsos hehe e um detalhe incomodativo é que para imprimir, eu tenho que pagar o preço de um A3 sendo que a maior parte dele é jogada fora.

Não tinha me dado conta disso até agora, justamente porque sempre que ia imprimir um boneco eu o redimensionava para caber em um A4. E é justamente o que estou tentando fazer agora. Redimensioná-lo tentando preservar essas proporções.

Pra quem tiver curiosidade de saber como a melodia soa, gravei um mp3 rapidinho. A proporção é baseada só no primeiro acorde, porque na verdade a música é modal, e varia bastante de tonalidade. Acho que assim como o texto, ela tem momentos mais sóbrios, momentos mais viajados/perdidos, e momentos afobados. Não reparem os errinhos, fazia um tempo que eu não tocava.

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Tipografando

Postado em Making Of, Tipografia em agosto 12th, 2009 por Rafael

Enquanto pensava nos temas para as ilustrações também me preocupava em formatar, diagramar, meu texto  que até então estava escrito no Word com Times New Roman. A primeira medida foi mandar o texto para uma revisão ortográfica, feita pela minha antiga professora de português, Rosana. Enquanto a revisão era feita, além de acrescentar mais coisas haha me dei conta de que a diagramação de um livro recorre a várias regras que eu não conhecia a não ser o que deduzia apartir da observação de outras obras.

Eu estou me formando em Produto, portanto não tive muitas dicas quanto à diagramação de coisa alguma. Como sempre desrespeitei essa divisão, resolvi correr atrás do tempo perdido. Minha idéia era consultar o Prof. Valério, especialista em tipografia da nossa Universidade. Isso se passou durante as férias de 2008, mas na volta às aulas recebi a notícia de que esse professor viera a falecer…

Apesar da perplexidade com o fato, meu instinto punk/do-it-yourself me fez aprender por conta própria.
Peguei com meu amigo Tutu (e mais tarde com a Lulu) o livro Elementos do Estilo Tipográfico. O livro dá uma boa aula de todos os detalhes aos quais os tipógrafos prestam atenção. Enquanto lia, ia tentando aplicar as idéias e fazendo modelos de páginas e manchas.

Aí também me deparei com necessidade de definir o estilo. Fiquei dividido entre fazer uma coisa bem “design” hehe bem inovadora, explorando os limites da tipografia, ou fazer uma coisa clássica, mostrando o domínio do “design invisível”. Fiquei com a segunda, primeiro por uma certa humildade, já que foi meu primeiro trabalho na área, segundo porque muita firula poderia prejudicar a atenção ao conteúdo em si.

Uma das coisas mais interessantes desse processo é que no livro citado, o autor compara um livro com uma composição, e a proporção entre largura e altura das páginas e manchas de texto com as proporções entre os tons em uma música. O que eu fiz? Peguei um violão e durante um tempo improvisei até sentir que toquei algo com a cara do livro (pelo menos a cara q ele tem pra mim). Saiu algo meio Phillip Glass hehe anotei os acordes e apartir da tonalidade defini as proporções do livro.
Eis o resultado

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