Potismo

Postado em Sem categoria em março 26th, 2011 por Rafael

Isso vai ser um Réquiem à minha guitarra.

Ontem me despedi dela, junto com mais um monte de outras coisas da minha ex-casa. Foi um fim deveras apropriado, eu diria. Tão rápido quanto levaram meu sofá, minha guitarra torta e detonada foi levada por um mendigo que bebia Pedra 90. Eu sei que dificilmente irá acontecer, mas como apreciador da Música Esquisita não consigo deixar de imaginar que dessa combinação poderia sair algo como uma Pastoral Suite Surf Session ou mesmo um Planeta Lamma, de dois memoráveis compositores sem-teto: Moondog e Damião Experiênça, respectivamente.

Aquela guitarra era um símbolo da minha falta de cuidado com algumas coisas, mas também reflete um certo apreço que tenho por coisas consideradas feias. Certa vez estava desenhando  uns tribais haha e resolvi que queria desenhar algo “feio”. Comecei fazendo uma coisa que era o queixo, depois fiz um bico aí pensei “ele é tipo um pato… com chifre de bode” aí pensei em como deixar a palavra “pato” feia, e surgiu o Poto! Vim a saber mais tarde que poto, no espanhol do Peru e do Chile, significa bunda. Perfeito!

Voltando à guitarra, tinha deixado de usá-la quando ela começou a trastejar demais, e perdeu uma corda. Mas um dia resolvi experimentar umas distorções nela e fui brincar. Acabamos num transe de meia hora fazendo um som cavernoso pra caramba.. quando parei, senti que tinha feito a versão sonora do pato-bode! Desde então fui utilizando ela para fazer experimentos e experiências com o pessoal, sendo o Astonishing Atonal Act uma das melhores. Fui aos poucos fazendo coisas inspirado pelo Wooden Wand and The Vanishing Voice, mas também saíam coisas ao estilo Fred Frith e DNA.

A última experimentação que eu fiz nela foi substituir a corda Ré que faltava, por uma Mi, bem mais grossa, e deixá-la bem frouxa, isso fazia um som que não era grave, era simplesmente uma batida da corda no captador. Assim acoplei ao som da minha guitarra potista uma “caixa de bateria”. Um dos resultados mais interessantes disso foi a minha improvisação com a participação especial do famoso Screensaver Johnny Cast Away.

E assim, íamos fazendo nossos questionamentos a respeito do que é música, do que a compõe, o que é ruído, até onde podemos chamá-lo assim, o que é expressão, e por fim, o que é feio, belo, ou mesmo o que é legal? Nisso cito a frase que a Lu ouviu do cara e me transmitiu:

Cara.. que noite! Uma pinga…e uma guitarra!

E é isso!

Aqui vão alguns exemplos pra quem tiver curiosidade:

Astonishing Atonal Act (excerpt)


Neblina


Cast Away

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Improvável

Postado em Filosofia de Buteco, Sem categoria em janeiro 6th, 2011 por Rafael

Agora sim, estou lendo o “O Andar do Bêbado”. Muito boa leitura, por sinal. O cara tem um encadeamento de idéias bem dinâmico e humorado, acho só que as vezes ele usa um ou outro cálculo meio abruptamente.

Das ciosas que foram tratadas com mais ênfase até agora, as mais interessantes foram as pegadinhas da nossa mente no campo da incerteza. Estudos indicam que  nós temos tendência a criar imagens mentais na hora de intuir probabilidades, e elementos que amplifiquem essa imagem mental, tendem a nos fazer crer mais na possibilidade dessa cena. É dado como exemplo, a quantidade de mendigos com problemas mentais que achamos que existem. Como os mendigos loucos costumam cativar mais nossa mente, é capaz que imaginemos que eles existam em maior quantidade. Histórias bem contadas também parecem ser mais prováveis que verdades amenas. E por fim, um dos estudos mais interessantes tem a ver com as próprias leis da probabilidade.

Deram a um grande números de pessoas uma descrição de uma mulher chamada Linda, inteligente, solteira, e outras características que levariam a crer que ela pudesse ser uma militante feminista. Em uma lista de 3 hipóteses as pessoas deveriam indicar as respectivas probabilidades, e a média foi algo como:

Linda é feminista – 90%

Linda é bancária e feminista – 55%

Linda é bancária – 20%

O fato de acreditarmos mais na hipótese da Linda feminista faz com que a segunda hipótese pareça mais convincente que a terceira. O absurdo disso é que a probabilidade de dois eventos independentes um do outro ocorrerem juntos (ser bancária + ser feminista) deve ser sempre menor do que a probabilidade de apenas um dos eventos ocorrer! Por exemplo, eu ganhar o prêmio máximo de um sorteio é uma coisa rara, mas é mais raro ainda, eu ganhar esse prêmio e em seguida perder, não concordam?

Pois isso aconteceu…

Na festa de fim de ano da MStech, houve um sorteio de vários prêmios pequenos e um prêmio-surpresa no final. Só que antes do sorteio chamaram um animador de festas irritante, e eu quis ir para a piscina. Fiquei com um pressentimento ruim e perguntei para uma das organizadoras sobre isso. Ela me disse que eu poderia ir nadar que não haveria problema. Quando saí da piscina com a Lu, ficamos sabendo que eu havia ganhado uma viagem para a Bahia, e que por não estar presente sortearam outra pessoa!

Veja que improvável: a possibilidade de eu ganhar o prêmio máximo x a probabilidade de eu estar nadando x a probabilidade de alguém da organização ter me tranquilizado antes!

Eu poderia adicionar aí a probabilidade de eu ter tido um pressentimento negativo antes. Mas o fato é que eu estou sempre tendo pressentimentos negativos, bem como mini-sonhos tipo abrir a caixa de correio e ter muito dinheiro lá. Sei também que isso foi um dos fatores que me levaram a consultar a Lilian, e que a resposta dela aumentou a probabilidade de eu ir nadar.

Mas isso me lembrou um  programa no NatGeo, que falava sobre a possibilidade das pessoas preverem acontecimentos. No meio da baboseira, o que me chamou a atenção, foi um experimento onde centenas de máquinas eletrônicas espalhadas pelos EUA ficavam gerando aleatoriamente “caras” e “coroas” (resultados binários, ou um ou outro) e era mantido um gráfico disso. O surpreendente foi ver que elas apresentaram uma curva muito anormal, tendendo apenas para um dos resultados nas horas que antecederam a colisão dos aviões com as torres gêmeas. Ou seja, nas horas anteriores ao choque, caíram muito mais caras do que coroas.

Óbviamente isso me lembra a explicação do I Ching, onde a natureza é vista como se movimentando dentro de padrões. Imagine que no caos exista um tipo de gráfico como esse das máquinas, e que isso condicione os movimentos na natureza, dentre eles a psique humana e as moedas furadas. Como Leonard Mlondilow diz, em sequências aleatórias sempre há picos de resultados raros. O caos não seria exceção, e entendendo ele como uma teia que transmite seu movimento à outros movimentos da natureza, não estranharia tanto que as pessoas tivessem pressentimentos, as moedas caíssem mais em caras e acontecimentos extraordinários ocorressem ao mesmo tempo.

Podemos linkar isso à questão da consciência condicionando a incerteza quântica, citada no post anterior. Assim, a consciência também teria poder de gerar resultados no caos, os quais se transmitiriam através de sua teia, condicionando eventos “independentes”. Mas isso fica para uma próxima hehe ^__^

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Samsara?

Postado em Filosofia de Buteco, Sem categoria em janeiro 1st, 2011 por Rafael

Feliz Ano Novo!

Continuando o post antes do anterior, vou voltar a falar sobre predeterminações. Não consegui ainda ler o livro “O Andar do Bêbado”, é claro, mas terminei de ler a matéria da Super sobre destino e uma outra matéria de uma edição anterior sobre como a genética pode identificar um psicopata.

A matéria sobre destino, dá a entender no começo, que falará sobre coincidências muito grandes como encontrar exatamente uma pessoa que você queria encontrar em algum lugar improvável. Mas fala um pouquinho sobre astrologia e horóscopo e depois continua principalmente falando sobre pré-disposições genéticas.
Algumas coisas são muito interessantes como os estudos com gêmeos separados no nascimento que tem hábitos e manias praticamente iguais. No geral, são apresentados exemplos de como atitudes nossas podem influenciar a genética de nossos filhos e assim o comportamento deles, e por conseguinte as coisas que irão acontecer com eles. Isso seria o destino.

Uma coisa que me chamou a atenção foi que algumas pesquisas parecem estar reitalizando as idéias de Lamarck (lembram dele?). No colegial, quando aprendi sobre evolução, não fiquei muito contente com a explicação sobre o neo-darwinismo que a professora deu. Ela disse que além da seleção natural entre várias espécies, haveria sempre o fator do crossing-over e mutações genéticas aumentando a variabilidade das espécies. Mas me pareceu que mutações aleatórias dariam um número tão grande de possibilidades, que parece não ter havido tempo suficiente para testar muitas, portanto, seria muita sorte as mutações sempre levarem ao indivíduo melhor adaptado. O que essas pesquisas mais recentes dizem, é que os genes não são tão imutáveis como se pensava, e que os fatores do ambiente podem influênciar mutações lentas, o que finalmente bateu com a minha intuição e me deixou mais satisfeito ^__^

Eu achei legais as informações e as pesquisas e acredito nesses resultados. Mas como sempre, eu gosto de olhar pra esses fatos adicionando outros pontos de vista, no caso filosofias orientais hehe.

Coincidência ou não, estava lendo também o “Sentido da Vida”, que é uma tradução de uma palestra do Dalai Lama. Achei que seria um livro mais voltado à ética ou auto-ajuda, mas na verdade é uma explicação técnica da roda cármica e a filosofia de causa e efeito do budismo/hinduísmo, e algumas partes me lembram muito a semiótica do Peirce. Isso acabou contribuindo para a análise dessa questão do Destino, levantada pela revista.

Quem me conhece talvez já tenha me ouvido falar que, a respeito de evolução, acho que as mutações são direcionadas pela consciência, dessa forma sendo mais efetivas. Segundo o Dalai, entre uma existência e outra, isto é, no momento anterior à reencarnação, sobra apenas a consciência mais sutil, desprovida de todas as características da consciência mais grosseira, como idioma, nome, paixões, etc, entretanto esta consciência carrega o carma acumulado nas diversas vidas e está preparada para gerar uma nova vida(efeito) resultada por alguma ação ocorrida em alguma das vidas passadas (causa). Nesse sentido, a cosciência sutil já sabe -ou já escolheu- quais serão as predisposições e as adversidades para aquele novo ser. A consciência escolheria um óvulo (ou coisa que o valha no caso de reencarnação em outras espécies) cujos pais e o entorno proporcionariam as situações almejadas para aquela nova vida. Uma pessoa poderia nascer bonita, ou feia, ou doente, etc.

Perguntaram ao Dalai se no caso de uma pessoa morrer atingida por um raio, a consciência é que teria criado o raio. O Dalai disse que não, mas que essa onisciência sutil poderia ter posicionado a pessoa em baixo do raio. Assim, assim um carma que geraria um psicopata na próxima existência, escolheria um feto portador do “gene-guerreiro” e que desenvolveria inatividade do córtex órbito-frontal e cujos pais seriam propensos à abusos ( as três características genéticas comuns aos psicopatas, segundo a matéria da Super).

Outra coisa que já devem ter me ouvido falando por aí, é que acho que qualquer coisa que procurarem por uma causa genética eu acho que vão encontrar. Simplesmente porque a matéria é o meio pelo qual as coisas imateriais têm para se manifestar. Assim como o som só existe na presença de máteria que vibra, uma intenção é acompanhada por variações hormonais. Essa relação intrínseca entre pensamento e corpo é objeto de estudo da ciência tradicional e gostaria de estudar um pouco mais sobre isso. De qualquer forma, os ciêntistas indianos parece que vão mais longe nas consequências disso. O endocrinologista Deepak Chopra fala sobre os poderes da mente em processos de cura e o físico Amit Goswami defende que a consciência sutil faz colapsar as ondas de possibilidade quânticas, gerando realidades concretas. Por consequência, o corpo sutil teria mesmo algum controle sobre o corpo físico e a matéria em geral!

Haha eu sei que é tenso, mas ao ler a matéria sobre os psicopatas, foi inevitável indagar se a consciência no momento da reencarnação não escolheria apenas os possíveis pais abusivos e ela mesma não influenciaria o material genético do feto a desenvolver as outras duas características para então gerar um possível psicopata.

Bom, isso é uma amostra de como penso, não necessariamente acredito em uma ou outra hipótese, mas gosto de conseguir enxergar as duas.

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Coincidência ou não

Postado em Filosofia de Buteco, Sem categoria em dezembro 25th, 2010 por Rafael

Aconteceram algumas coisas interessantes (para a minha imaginação fértil apenas) que me fizeram querer escrever por aqui de novo. Apenas coisas banais, que minha cabeça começou a relacionar.

Uma vez minha professora de Sociologia ficou visivelmente irritada, quando eu comentei numa discussão que a internet parecia ajudar a enxergar que o comportamento humano numa escala macro parece um cardume de peixes. Eu quis dizer que é engraçado ver as tendências, as modas pegando, e a internet parece ajudar a visualizar esse processo. Acho que se eu tivesse colocado dessa maneira ela não teria ficado nervosa. De qualquer forma, lembrei disso outro dia quando estava procurando algum vídeo bobo na internet e achei o Joel Santana Auto-tune.

Na hora, me lembrei que o Pedro Oliveira, tinha comentado sobre “auto-tunes” muito tempo atrás. O Pedro é o cara que, pra mim, sempre esteve na vanguarda do que viria a ser moda. Ele me mostrou o twitter tanto tempo antes de o negócio pegar, que eu simplesmente não entendia para o que aquilo podia servir. Como na vez do twitter, nem prestei atenção do negócio dos “auto-tunes” na época e só agora resolvi checar. Achei engraçado, vi mais alguns relacionados, dei risada e depois fui ver TV. Para a minha surpresa, a mensagem de encerramento do fantástico era um auto-tune com os globais e a música que encerrou o Pânico na TV era o auto-tune do Zagallo!

Eu não sei se isso é uma modinha, se vai aparecer mais vezes ou não. O interessante foi a coincidência. Tanto de ter visto na TV o que eu tinha visto no youtube, quanto de mais uma vez o Pedro ter sido “profético” haha. Lembrei também de uma vez, quando era pequeno, ouvir minha vó usar a palavra “ensejo”, e de perguntar o significado dela, pois não conhecia. Naquela mesma semana ouvi ou li “ensejo” em vários lugares. Não acho que seja coincidência, acho que é aquele negócio de você descobrir uma coisa e aí sim conseguir achar ela por aí. Tipo, acho que nunca tinha reparado o quanto se usa Monotype Corsiva por aí até ter usado ela num trabalho. Mas ainda no assunto das coincidências, quando cheguei aqui em Itanhaém, meu irmão estava abrindo a Superinteressante do mês que vem (jan 2011, 287), que fala sobre Destino.

Comecei a ler a matéria, mas ainda não terminei. De qualquer forma, ela começa falando que nosso cérebro tem um defeito genético que nos faz procurar sentido em tudo. E logo em seguida diz algo como “você vai entender do que estou falando, Rafael”. O autor completa dizendo que se o leitor se chama Rafael, ele provavelmente se sentirá especial. Bom, eu me chamo Rafael, e por mais que eu estivesse ciente de que ele estava brincando com probabilidades, tenho que admitir que é difícil não ficar intrigado. Até o terceiro ano de faculdade, eu nunca tinha sido o único Rafael da classe, então não deveria estranhar, mas não é o que acontece no primeiro contato com uma coincidência.

Para completar, ganhei de presente o livro “O Andar do bêbado-como o acaso determina nossas vidas“, de Leonard Mlodinow. Nada aleatório, já que eu pedi ele na nossa listinha, assim como também não acho estranho o fato de ter ganhado dois dele! O livro fala justamente sobre aleatoriedade  e discute a nossa dificuldade nata de interpretar eventos não-correlatos. Parece bem interessante e divertido. Vou ler os dois, a matéria e o livro, e depois tento compartilhar o que achei. ^___^

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E se eu pudesse decidir como estudar?

Postado em educação, Sem categoria em maio 2nd, 2010 por Rafael

Um pouco antes de pegar o ônibus para o Rio, estava estudando algumas coisas sobre ensino e educação, lendo alguns artigos e tal. Percebi que muito se fala sobre envolver o estudante no processo, dar a ele responsabilidade sobre seu próprio aprendizado. Inclusive o Pierre Levy acabou de twittar um link meio sobre o assunto. Bom, sei que isso acabou me lembrando uma história (pra variar).

3a série. O engraçado é que isso é mais antigo que a história que eu conto no livro, que é da 4a série. Mas a professora era a mesma, a Marlene. Como nessas séries, normalmente apenas um professor por sala, eu não entendia direito a dinâmica entre matérias, pareceia que cada hora vinha um pouco de cada uma. Lembro que nesse ano estudamos mitologia grega e os presságios do rei asteca Montezuma. Pode ser minha impressão pessoal, mas acho que toda a classe gostava dessas partes da aula. Acho que é porque essas histórias fantásticas são mesmo envolventes, não são?

Bom, nesse ano também estava passando Cavaleiros do Zodiaco -os famigerados- e é claro que circulavam pela sala muitos bonequinhos e revistinhas “Herói”, para o descontrole da professora. Ou seja, uma parte da aula era a tentativa da professora de impedir a presença da nossa cultura na sala. Não lembro como foi, mas tivemos uma atitude meio revolucionária: Dissemos que as aulas seriam mais legais se elas envolvessem os personagens.

Foi legal que a professora abriu espaço e conversamos por um tempo sobre como usar os desenhos nas aulas. Falamos que os Cavaleiros podiam ilustrar as aulas de mitologia mas que também podiam aparecer nos problemas de matemática e coisa assim. A história durou mais uns dias e a professora até pediu que entregássemos umas revistinhas para que ela estudasse sobre o assunto. Infelizmente os dias foram passando, e a expectativa foi diminuindo e nunca aconteceu. Sempre fiquei pensando em como teriam sido essas aulas.

Será que foi uma tática pra tirar nossas revistinhas? Haha acho que não, mas se foi, então o Sistema ganhou bonito da Revolução.

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Rio-Encontros

Postado em Sem categoria em abril 25th, 2010 por Rafael

De passagem muito rápida pelo Rio. Muito rápida mas muito proveitosa. Vim para apresentar meu TCC, contar sobre com foi a produção dele, seus múltiplos processos e tal. Sábado de manhã não é um dos melhores horários para se esperar muito movimento, mas gostei de quem esteve por lá. Reencontrei grandes amigos cariocas, pude bater um papo mais profundo sobre o conteúdo do livro e sobre novas idéias, e também saber como anda a galera. Espero semear um pouco mais essas idéias deixando alguns livros por aqui, com a Ju Montenegro da organização e com o Daverson.

Mas tenho que dizer que o mais interessante mesmo dessa curta passagem foi encontrar aqui meu amigo Celso, ou “juninho” para nós itanhaenses. O Celso é um amigo de infância, filho de um amigo da família. Nós sempre nos demos muito bem, não só pelo incrível bom humor dele, mas por nossa congruência criativa -dois caras com imaginação non-sense juntos sempre dá em boas risadas e idéias, superando a diferença de idade. Ele veio pra cá pra lançar Jambocks! sua HQ sobre a participação brasileira na Segunda Guerra Mundial. Além de ficar obviamente feliz pela inesperada oportunidade de parabenizá-lo pessoalmente, também me deixou muito orgulhoso o fato de depois de tanto tempo nos reencontrarmos para trocar autógrafos! E ainda descobrir que também compartilhamos idéias e projetos parecidos com relação a educação haha.

Depois eu escrevo mais algumas coisas sobre essa passagem pela Cidade Maravilhosa.

Confiram Jambocks! quadrinho nacional de qualidade!

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Nada a Perder

Postado em Sem categoria em março 10th, 2010 por Rafael

Mesmo morando cerca de 5 quadras da USC, e seguindo Pirre Lévy no twitter, tive de ser avisado pelo Pedro, de que ele participaria da abertura de um Simpósio aqui perto de casa. Fiquei sabendo com certa antecedência, mas apesar do preço acessível, o fato de ter começado no novo emprego me impediu de fazer inscrição, pois teria de me ausentar do serviço.

Veja bem, o que me “impediu” foi o emprego. Acho que é importante demonstrar vontade de trabalhar e não ficar criando muitas situações difíceis no começo. Mas o que eu queria comentar aqui é sobre outro tipo de impedimento. Muitas vezes a vergonha nos impede de fazer pequenas coisas -eu particularmente senti isso a vida toda. Entretanto, conforme fui me tornando mais desapegado, também esse ponto começou a melhorar. Vergonha provém de um apego, uma valorização muito grande, da expectativa ou opinião dos outros sobre você. Esse desejo de ser bem visto faz com que nossas ações fiquem engessadas dentro de uma esfera de previsibilidade. não saímos do padrão para não provocar reações inesperadas.

Isso tudo foi só para tentar deixar mais rica, tal qual é para mim, a história dessa noite. Como disse, não fiz a inscrição, mas me disseram que a palestra seria em espaço aberto. Cheguei a pensar em não ir só pra não dar de cara com um “Não”. Ao me dar conta de que esse não era algo tão danoso, levantei imediatamente e fui pra lá. Realmente era aberto o lugar, mas a palestra era em francês e só teria fone com tradução quem estivesse inscrito. Fiquei lá tentando decifrar o francês quando percebo uma moça levantando, abaixando os fones e saindo apressada. Sem dúvidas, abordei ela na hora e perguntei se ela não ia usar, ela disse que não e concordou em passar ele pra mim. O Tutu -que tava na mesma situação- perguntou se eu conhecia ela e riu muito qdo eu disse que não. O próximo passo foi conseguir sentar nas cadeiras e pronto, vimos a palestra.
No fim, após, as perguntas, todo mundo levantou para tirar fotos com ele ou autografar livros e tal. Aí o Tutu me pergunta, assim como meu pai tinha feito pouco antes, por telefone, se eu não ia entregar um livro meu pra ele. Pro meu pai eu tinha dito que não, que provavelmente não haveria abertura, que o cara era estrangeiro e tal.. Mas ali, na hora, eu falei que ia, virei de costas e corri as 5 quadras e dois andares para pegar um exemplar do meu livro e voltar correndo antes que ele fosse embora. Veja bem, correr na rua, chegar suado perto de um cara de terno, entregar um livro sem falar uma palavra de tão cansado, parecem coisas que me deixariam envergonhado. Mas na verdade me deixaram muito feliz. Foi uma situação que eu nunca imaginei. Muito menos que ele apontaria para o hexagrama da capa, que eu uso no meu avatar do twitter, e diria “Já vi, já vi”.

^__^

Não faço idéia se ele vai ler, se vai se interessar. Na verdade eu não espero nada com isso. Minha cabeça vergonhosa me dizia que o esforço de correr e tudo mais sem um objetivo muito claro era perda de tempo. Mas não existe perda de nada na somatória das experiências. No mínimo a gente ganha um causo pra contar.

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Gratitude

Postado em Sem categoria em fevereiro 11th, 2010 por Rafael

Dia 29 de janeiro, foi a colação de grau da minha turma. Recebemos nossos canudos vazios e fizemos uma bagunça de leve. Bem legal esse momento. Dizem que fecha um ciclo, mas como eu já estava fazia um ano trabalhando, sem ir pra facul e sem ver a maioria dos amigos, não parece que foi tanto assim. De qualquer forma foi um momento de rever a turma e saber mais ou menos para onde cada um tem se encaminhado. Conseqüentemente também serve para ver como eu tenho me encaminhado.

O ano está começando (haha é, só começa mesmo depois do carnaval) e parece que promete algumas coisas legais. Minha cabeça está mais livre pra pensar e estudar alguns novos projetos. O pessoal do Centro Acadêmico (sim! finalmente nós temos um C.A. ativo!) me convidou para vender alguns livros para os bixos. O que foi muito legal, me senti honrado, e me deixou animado pra ver que tipo de coisas podem surgir nessa turma, o tipo de efeito que um conteúdo controverso desses pode ter em aulas mais caretas haha. Também recebi um feedback bem legal do pessoal que já leu e estou vendo que tem um pessoal que se interessou mesmo pelo assunto.

Aliás os livros estão acabando, fiz essa doação pro C.A e quero ver se com o que sobrar vou para o N ou outro encontro. Estou pensando em mandar o projeto como SePA pro N, mas não tenho certeza se minha situação profissional vai permitir que eu vá.. muita coisa por definir ainda.

Bom, de resto, estou de volta com meu computador plenamente funcional. Ele tinha ficado praticamente inoperante desde 15 de setembro! Portanto, posso prometer confiante que a Realidade Aumentada vai sair e, mais cedo que ela, o E-book para Mac. Talvez role até mais coisas, quem sabe?

Acho que essa volta do computador e ter pego um certificado de graduação parecem sim fechar um ciclo haha
Muito obrigado à todos vocês.
Especialmente Pai Mãe e Lu

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Nenhum Apetite pelo Caos

Postado em Filosofia de Buteco, Sem categoria em janeiro 10th, 2010 por Rafael

Estava aqui lendo esse artigo do Wanderley Costa, que vai de encontro com meus interesses atuais: Design voltado à formação, à educação. É muito bem escrito e informativo, e funciona como uma extensão do assunto do 12° capítulo do livro, onde falo um pouco sobre a importância da criatividade e seu desenvolvimento.  Como o artigo é focado específicamente nisso,  conceitua e explana muito melhor algumas coisas que quis dizer. Pontua, por exemplo, os fatores que podem estimular ou inibir o espiríto criativo -onde aparece esse termo usado no título- e à medida que vou lendo vou ora me identificando com algumas passagens ora identificando outros.

O divertido foi que comecei a lembrar que eu sempre quis fazer as coisas do meu jeito. Não necessariamente numa atitude rebelde, mas mais numa coisa de customização. E isso foi em tudo. Inclusive no Skate. Aliás, eu me arrependo um pouco por não ter falado sobre skate no livro, talvez eu compense com esse post. Eu comecei a andar de skate meio do nada, meu irmão mais novo ganhou um e eu fiquei com vontade tb. Nunca andei em rampa, sempre na rua, na calçada, e isso é o que eu acho interessante. Quando se brinca na rua, o skate não tem regra, nem muita previsibilidade, é um esporte de adrenalina onde você tem que olhar e interpretar rapidamente todo o caos urbano para com sua criatividade fazer uma obra de arte em movimento ou ao menos se safar de um acidente feio. Por mais que você brinque sempre na mesma rua, a dinâmica do espaço público faz com que aquilo esteja sempre mudando: podem ter carros passando, estacionados, um buraco novo, um caixote, pneu, tapume, etc.. Eu poderia passar um tempão aqui falando sobre como eu acho que essa atividade de agir em movimento e tomar decisões como flashs prepara a mente para outras situações, mas fica pra um outro post.

Eu queria mesmo era comentar que logo quando comecei a andar, e aprender algumas manobras, não deu outra, eu quis inventar as minhas. E até fiz algumas mesmo como o silent-flip, backfoot-grab e outras, mas nunca fui bom ou influente o suficiente para que elas se espalhassem por aí. Eu reparava que a maioria da galera gostava era de aprender algumas manobras, como se tivesse uma lista pronta do que eles poderiam aprender e acrescentar nas linhas, mas pouca gente parecia imaginar um giro novo ou algo assim.

Conforme eu fui gostando e conhecendo mais de skate, eu fiquei sabendo sobre o Rodney Mullen. Descobri que esse cara foi um dos que inventou a maioria das manobras que a gente usa até hoje. E ele continua inventando! O que queria dizer não é que a galera que anda por aí não seja criativa, mas sim que a criatividade pode se manifestar em diferentes aspectos, desde que seja propiciado um ambiente estimulante e receptivo à novas idéias e atitudes. E os resultados disso, as novidades que podem surgir em um ambiente assim, podem ser tão impressionantes quanto ver o Rodney Mullen destruindo por aí.

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Feliz Navidad

Postado em Sem categoria em dezembro 25th, 2009 por Rafael

Vou aproveitar essa data festiva e tal só pra contar uma história. No livro eu falo rapidamente sobre a vez em que meu amigo João, me chamou pra conhecer a Igreja Messiânica, aqui em Itanhaém.  A gente era pequeno, eu não gostava muito desses papos de Igreja mas normalmente as coisas que o João apresentava eram legais. Eu lembro que achei muito louco o negócio de rezar em japonês e gostei de fazer as ikebanas e tal, lembro que até comentei com meus pais e que foi algo de diferente do normal. Mas fui só dois dias como conto no livro.

Acontece que muitos anos depois, um outro amigo, o Rodrigo -que deu o toque pra eu escrever- me falou sobre um tal de Johrei, que era tipo um passe e que fazia ele se sentir bem e que era um lugar bonito e tal. Aí fomos lá um dia, e eu gostei muito. Eu tive a impressão de que conhecia aquilo de algum lugar e descobri que o Johrei Center fazia parte da Igreja Messiânica também. Eu já meditava na época e ví aquilo como um bom lugar pra meditar e ter um momento Zen. Achei o lugar tão pacífico que quando saí dele até o trânsito de Itanhaém me pareceu caótico haha. Assim fui indo aos poucos, sempre que sentia que precisava de uma ajuda, uma calma. Eu sempre achei o máximo aquelas pessoas ficarem lá num lugarzinho esperando alguém que precisasse de uma energia!

O Rodrigo me mostrou também onde ficava o Johrei Center de Bauru e eu fui frequentando de tempo em tempo. Quando passava muito tempo sem ir sentia uma falta grande. Mas ano passado e esse ano, quase não fui. Na verdade eu estava com uma certa aversão à religiosidade, estava num momento complicado, queria deixar o Rafa que escreveu o livro pra trás, voltar a ser mais mundano, banal ou coisa assim. Só que isso me deixou nitidamente fora do eixo, sem brilho.

No fim desse ano, num momento de necessidade, voltei lá no Johrei pra aliviar a cabeça. Mas foi muito melhor do que eu imaginava! Me senti muito acolhido mesmo, em um mês mais ou menos fiz alguns amigos, cuja relação parece de bastante tempo já. Aos poucos fui conhecendo melhor os princípios da Igreja Messiânica, e uma coisa que me chamou muito a atenção, foi a massiva valorização das pequenas ações altruístas.

Eu já frequentei alguns cultos diferentes, mas tenho a impressão de que nenhum tinha falado tanto a respeito disso -nem a Católica. Tipo, na Messiânica se fala sobre milagres através do Johrei e tal, mas não é isso que me alicía -é o como eles falam sobre pró-atividade e dedicação ao próximo. Que é o que tem a ver com o Natal -tcharam!- Parece que por ter uma data específica para falar sobre amor ao próximo, a gente fica isento de pensar sobre isso durante o resto do ano. Dia 23 foi o Natalício da Messiânica, data em que o fundador da Igreja nasceu. No geral foi uma festa de aniversário, com bolo, parabéns e tudo, mas eu e mais alguns recebemos um presente -o Ohikari- que é um amuleto, para nos ajudar a fazer bem ao próximo durante o resto do ano.

Não é interessante?

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