How ideas shape the world

Postado em Filosofia de Buteco, Projetos em fevereiro 21st, 2012 por Rafael

Tenho ficado muito tempo sem escrever e isso não me faz bem. Tenho que tirar os pensamentos da minha cabeça, sabe? Dá uma sensação de que eles ou se perdem ou ficam ocupando espaço no HD. Fora isso, sinto que perco um pouco da habilidade, e vou me acostumando a pensar raso. Faz tempo que não tenho papos filosóficos, então tenho que aproveitar mais esse espaço.

Falando nisso, comecei mais um projeto paralelo (mais um pra variar haha). É um infográfico, um mapa na verdade, dos filósofos e suas ideias. Nada tão complexo como os que o Beccari fez, mas quero fazer o meu, e principalmente, começando antes dos Gregos e colocando os filósofos Orientais na jogada. A intenção é mais ver a trajetória e evolução de uma ideia. Tipo, não é nenhuma descoberta, mas o legal é que essa “modinha” de data visualisation nos permite enxergar padrões com mais facilidade (embora nossa busca por padrões muitas vezes nos iluda). Legal também é ver o fato de que desde a antiguidade alguns argumentavam que a religião iria desaparecer conforme a evolução mas até hoje ela não foi embora, e sempre dá pano pra manga

Mas o mais interessante é ver essa importância de se transmitir o que se pensa. Uma vez o Beccari me pediu para fazer um vídeo falando sobre filosofia e design, eu pensei no que ia falar escrevi, e até mandei pra ele, mas confesso que não tive coragem de filmar. Essa fala começava com a frase: “Eu não li os filósofos” e é verdade. Eu só li resenhas ou coisas de terceiros, por isso eu sei um resumo do que eles pensavam, mas nunca fui de concatenar as ideias de uns com os outros. Eu sempre pensei “por mim mesmo”, lavando louça haha. Impressionante é perceber como algumas coisas que a gente pensa, de repente, se parecem com Kant ou com Hegel, por exemplo. Mas, se for ver, isso também não é nada de surpreendente. Numa conversa (que sempre pareciam mais com brigas) com meu caro Tauan Bernardo, percebemos que, de certa forma, se você consegue transmitir uma ideia ao ambiente externo à sua mente, seja por palavras ou por ações, ela passa a fazer parte do coletivo. Claro que dentro das proporções do alcance dela (interessante notar que esse alcance é beeem difícil de mensurar, uma vez que você nunca sabe a proporção das ações e palavras das outras pessoas influenciadas por você).

De qualquer forma, uma vez no coletivo, a ideia pode se espalhar numa forma mais subjetiva e abstrata, diluída com o tempo mas presente. Por isso, não deveria ser difícil imaginar que uma pessoa possa chegar com certa facilidade nas conclusões de alguns desses filósofos chegaram. Afinal, vivemos num mundo influenciado por essas ideias, impregnado por coisas que essas pessoas disseram. Não precisamos saber o que eles disseram, pois nosso cotidiano é um tipo de resultado prático de algumas dessas ideias. Podemos contar com um certo handcap intelectual.

Bom, tudo isso só reforça ainda mais minha vontade de continuar escrevendo haha. Eu sempre me impressiono ao saber que as visitas por aqui não param ^__^. Acho que uma primeira medida a ser tomada é publicar os posts que eu deixei inacabados! E uma mais urgente é pagar a hospedagem!!

Abraços aos que leem ^__^

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Palpitando onde não fui chamado

Postado em Críticas, Filosofia de Buteco em janeiro 10th, 2012 por Rafael

Outro dia, meu amigo Victor Salciotti, me apresentou um post de outro amigo, o Eduardo Cuducos, debatendo o post de outro parceiro, o Fernando Galdino. Me sinto muito feliz por ter algum contato com essa turma de pensadores, pois os caras estão sempre em tópicos relevantes.

O assunto em questão era o uso do termo design thinking, ou a necessidade desse termo, visto que as premissas dessa prática se assemelhariam em muito com os princípios originais do Design. A coisa toda me lembrou uns papos da época de faculdade que resolvi expor aqui. Veja bem, diferentemente deles, não sou um pesquisador propriamente dito. Sou apenas um observador/questionador. O que quero mostrar é apenas um pensamento superficial, e deve ser encarado como tal.

À primeira vista, me identifico com a opinião do Cuducos. Se tomarmos a tradução de design defendida pelo Houaiss, e substituirmos em nossas conversas o termo design por “projética”, já ficaria bem mais fácil visualizar o pontencial interdisciplinar dessa “arte de projetar”.

Vejo um projeto como uma sequência de processos, com suas tomadas de decisões, insumos, etc, que culminam num produto concreto. E entendo que em várias áreas do design muitos processos são parecidos ou seguem um esquema semelhante. Parece haver um tipo de DNA nos projetos de design, que talvez seja essa abordagem do problema em parte “exatas” em parte “humanas”. Assim parece mais nítido que o objeto concreto final delimita a abrangência dos processos, personalizando aquele projeto.

tipos de design

design puro?

Como foi ressaltado no debate entre os dois, a sociedade, durante as últimas décadas, focalizou o termo design, no produto produzido. Por isso a grande quantidade de nomes como interior design, fashion design, game design e assim por diante. Alguns nomes como hair design, parecem realmente incomodar alguns designers. Quando tratávamos desse assunto na época da faculdade, uma abordagem simplista mas de certa forma didática que usávamos era virtualizar o produto final. Assim, as lacunas personalizáveis do projeto também ficariam em aberto, esperando para serem preenchidas com as características apropriadas ao produto a ser definido. Sei que é bobo, mas se tirarmos, o fashion, o furniture, o web, o que sobra é o Design. O que nos sobra é uma metodologia, ou ao menos um modo de pensar, passivo de ser utilizado para qualquer produto- e então novamente limitado.

E essa questão do nome é que é interessante, que parece ser o cerne da discussão entre os dois. Talvez, assim como temos Bioengenharia, Neuroarquitetura e outras coisas do tipo surgindo, ainda veremos também surgir uma miríade de novos “designs”. Mas na graduação, utópicos como éramos (ou somos), imaginávamos que nas próximas décadas, tudo seria design. A criatividade e interdisciplinariedade envolvidas nessa metodologia seria tão necessária que tudo demandaria design. E talvez ela fosse tão ubíqua que nada precisaria ter esse nome. Seria redundante. Imaginamos que o modo de pensar do design seria característica necessária e comum a vários profissionais, e que muitas outras áreas incorporariam as premissas à suas próprias metodologias.

Já me questionaram que se você tirar o produto concreto de uma metodoliga, ou não definir o espectro de produtos possíveis, você nao terá como distinguir o que sobra de outras práticas, como administração, antropologia e etc. Afinal, como definir o que é um sound designer e o que é um músico? Um ilustrador não é necessariamente um designer e um designer não é necessariamente um ilustrador, embora ambos possam fazer produtos da mesma natureza. Ou então imagine que alguém diga “não sou mecânico, sou médico de carros”. Podemos perceber sutilmente a diferença de perspectiva com relação ao produto, assim como conseguimos perceber quando nosso médico mais parece um “mecânico de gente”. Nesse ponto entendo que, embora os produtos sejam do mesmo tipo, a relação com o objeto do trabalho e as estratégias são essencialmente diferentes, e talvez os resultados tenham características distintas.

Mas o fato é que indefinição gera incerteza, que por sua vez traz insegurança. Por isso as pessoas sentem necessidade de delimitações, e portanto, de nomes. Nisso concordo com o Galdino. Mesmo que Design Thinking, possa ser um tipo de Design “puro”, talvez seja querer demais que a sociedade entenda isso após decadas vendo design como uma característica dos produtos, vide Kia Soul. Assim, um novo nome atende a algumas necessidades básicas de conforto e segurança, e obviamente, de novidade.

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Imperfeito

Postado em Críticas, Filosofia de Buteco em abril 10th, 2011 por Rafael

Estou lendo agora o Criação Imperfeita, do Marcelo Gleiser. Comecei com uma certa descrença, mas o livro é bem legal, gostei do jeito que ele escreve. Só achei que pra explicar a “bariogênese na transição de fase eletrofraca” ele usa uma metáfora meio tosca.

Ainda quero entender mais o ponto de vista dele, mas de certa forma eu até concordo. O que me incomoda um pouco são as críticas a um ideal de beleza e a Deus. Para mim, ele entra raso demais na questão “Deus” -não me parece satisfatório- e acho que a estética que ele tanto critica não é tão óbvia para o leitor comum, talvez para os cientistas. Claro que eu entendo que para uma grande parcela da população simetria = beleza = verdade = Deus = entidade consciente que arquiteta, orquestra, mantém e protege. Mas como para mim a equação não é tão simples, fico com a impressão de que esse tema aparece apenas para polemizar, meio Richard Dawkins.

Deixe-me tentar explicar o lance. Resumidamente o que acontece é que no começo do século os físicos começaram a estudar cada vez mais a física do muito pequeno (quântica, de partículas) por outro lado a física do muito grande (cosmologia) também fez avanços. Em certo ponto as duas se influenciam mutuamente, pois como já tratamos algumas vezes, padrões em escala influenciam eventos em escala macro. Além disso, pela teoria do Big Bang, o universo surgiu de eventos na escala micro, sendo necessária a compreensão da física de partículas associadas as leis da relatividade para entender seu desenvolvimento.

O Problema é que algumas mecânicas que funcionam em uma escala não servem para a outra, e a busca de alguns físicos tem sido encontrar uma Teoria da Unificação. Uma série de leis que sirvam para todas as escalas. Aí que começa o papo do “belo”, muitos acreditam que as leis precisam se unificar, mas movidos principalmente por um desejo “estético”, por achar que essa “falha” não é digna da Natureza. Vejamos a violação das simetrias. De certa forma, algumas operações físicas exibem um comportamento padrão, que permitiu aos cientistas, prever a existência de novas partículas. Tipo assim: uma partícula que tem certa carga, quando decair se transformará em duas partículas que somadas darão a carga inicial. Tomando isso como regra, os cientistas conseguem prever partículas que surgirão de uma determinada reação, mesmo que elas ainda não tenham sido descobertas. E em vários casos isso deu certo, foi o caso do Pósitron e de toda a antimatéria.

Nesse cenário é realmente difícil não ficar encantado com as possibilidades das simetrias. E aí sim o senso estético começa a falar mais alto. Assistam a esse vídeo do Garrett Lisi explicando a teoria de unificação dele. Cara, se um físico surfista que mora numa van e desenhou uma tabela periódica que lembra uma mandala tibetana estiver certo sobre a mecânica do universo, eu tatuo o E8 nas costas. (pessoas não copiem essa idéia, por favor haha e esperem pra ver se ele está certo antes!)

Difícil de engolir é que baseado nas simetrias, ele prevê a existência de mais 24 partículas novas! E tem sido difícil achar mesmo uma! Fazendo um paralelo com o Andar do Bêbado, penso sobre a nossa predisposição em identificar padrões. Tivemos até uma experiência no trabalho. Fizemos um jogo que tinha 4 bônus que apareciam aleatoriamente na sequência de perguntas. Como era de esperar, esses bônus tinham a mesma chance de aparecer que as outras perguntas, e por isso às vezes eles vinham em sequência mesmo, e isso não era desejável. Mesmo tendo feito o programa e sabendo que ele era randômico (até onde a função “random” permite) nós tivemos a impressão de que havia algo gerando um padrão. No caso do E8, minha preocupação é que parece que as falhas na simetria são indicadas pela visualização do gráfico de 8 eixos que Lisi cria com as partículas. Será que os dados realmente exibem esse padrão, ou a maneira que escolhemos para visualizá-los é que nos dá essa impressão?

Talvez ele até esteja certo, mas talvez nós nunca consigamos tecnologia suficiente para detectá-las, talvez as energias necessárias sejam próximas as de supernovas, coisa que seria impossível de rolar em laboratório.. sei lá, temos que ver o que vai sair do LHC. Enquanto isso vou lendo o resto do livro ^^ Tô de cara com um papo sobre quiralidade aqui…

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Improvável

Postado em Filosofia de Buteco, Sem categoria em janeiro 6th, 2011 por Rafael

Agora sim, estou lendo o “O Andar do Bêbado”. Muito boa leitura, por sinal. O cara tem um encadeamento de idéias bem dinâmico e humorado, acho só que as vezes ele usa um ou outro cálculo meio abruptamente.

Das ciosas que foram tratadas com mais ênfase até agora, as mais interessantes foram as pegadinhas da nossa mente no campo da incerteza. Estudos indicam que  nós temos tendência a criar imagens mentais na hora de intuir probabilidades, e elementos que amplifiquem essa imagem mental, tendem a nos fazer crer mais na possibilidade dessa cena. É dado como exemplo, a quantidade de mendigos com problemas mentais que achamos que existem. Como os mendigos loucos costumam cativar mais nossa mente, é capaz que imaginemos que eles existam em maior quantidade. Histórias bem contadas também parecem ser mais prováveis que verdades amenas. E por fim, um dos estudos mais interessantes tem a ver com as próprias leis da probabilidade.

Deram a um grande números de pessoas uma descrição de uma mulher chamada Linda, inteligente, solteira, e outras características que levariam a crer que ela pudesse ser uma militante feminista. Em uma lista de 3 hipóteses as pessoas deveriam indicar as respectivas probabilidades, e a média foi algo como:

Linda é feminista – 90%

Linda é bancária e feminista – 55%

Linda é bancária – 20%

O fato de acreditarmos mais na hipótese da Linda feminista faz com que a segunda hipótese pareça mais convincente que a terceira. O absurdo disso é que a probabilidade de dois eventos independentes um do outro ocorrerem juntos (ser bancária + ser feminista) deve ser sempre menor do que a probabilidade de apenas um dos eventos ocorrer! Por exemplo, eu ganhar o prêmio máximo de um sorteio é uma coisa rara, mas é mais raro ainda, eu ganhar esse prêmio e em seguida perder, não concordam?

Pois isso aconteceu…

Na festa de fim de ano da MStech, houve um sorteio de vários prêmios pequenos e um prêmio-surpresa no final. Só que antes do sorteio chamaram um animador de festas irritante, e eu quis ir para a piscina. Fiquei com um pressentimento ruim e perguntei para uma das organizadoras sobre isso. Ela me disse que eu poderia ir nadar que não haveria problema. Quando saí da piscina com a Lu, ficamos sabendo que eu havia ganhado uma viagem para a Bahia, e que por não estar presente sortearam outra pessoa!

Veja que improvável: a possibilidade de eu ganhar o prêmio máximo x a probabilidade de eu estar nadando x a probabilidade de alguém da organização ter me tranquilizado antes!

Eu poderia adicionar aí a probabilidade de eu ter tido um pressentimento negativo antes. Mas o fato é que eu estou sempre tendo pressentimentos negativos, bem como mini-sonhos tipo abrir a caixa de correio e ter muito dinheiro lá. Sei também que isso foi um dos fatores que me levaram a consultar a Lilian, e que a resposta dela aumentou a probabilidade de eu ir nadar.

Mas isso me lembrou um  programa no NatGeo, que falava sobre a possibilidade das pessoas preverem acontecimentos. No meio da baboseira, o que me chamou a atenção, foi um experimento onde centenas de máquinas eletrônicas espalhadas pelos EUA ficavam gerando aleatoriamente “caras” e “coroas” (resultados binários, ou um ou outro) e era mantido um gráfico disso. O surpreendente foi ver que elas apresentaram uma curva muito anormal, tendendo apenas para um dos resultados nas horas que antecederam a colisão dos aviões com as torres gêmeas. Ou seja, nas horas anteriores ao choque, caíram muito mais caras do que coroas.

Óbviamente isso me lembra a explicação do I Ching, onde a natureza é vista como se movimentando dentro de padrões. Imagine que no caos exista um tipo de gráfico como esse das máquinas, e que isso condicione os movimentos na natureza, dentre eles a psique humana e as moedas furadas. Como Leonard Mlondilow diz, em sequências aleatórias sempre há picos de resultados raros. O caos não seria exceção, e entendendo ele como uma teia que transmite seu movimento à outros movimentos da natureza, não estranharia tanto que as pessoas tivessem pressentimentos, as moedas caíssem mais em caras e acontecimentos extraordinários ocorressem ao mesmo tempo.

Podemos linkar isso à questão da consciência condicionando a incerteza quântica, citada no post anterior. Assim, a consciência também teria poder de gerar resultados no caos, os quais se transmitiriam através de sua teia, condicionando eventos “independentes”. Mas isso fica para uma próxima hehe ^__^

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Samsara?

Postado em Filosofia de Buteco, Sem categoria em janeiro 1st, 2011 por Rafael

Feliz Ano Novo!

Continuando o post antes do anterior, vou voltar a falar sobre predeterminações. Não consegui ainda ler o livro “O Andar do Bêbado”, é claro, mas terminei de ler a matéria da Super sobre destino e uma outra matéria de uma edição anterior sobre como a genética pode identificar um psicopata.

A matéria sobre destino, dá a entender no começo, que falará sobre coincidências muito grandes como encontrar exatamente uma pessoa que você queria encontrar em algum lugar improvável. Mas fala um pouquinho sobre astrologia e horóscopo e depois continua principalmente falando sobre pré-disposições genéticas.
Algumas coisas são muito interessantes como os estudos com gêmeos separados no nascimento que tem hábitos e manias praticamente iguais. No geral, são apresentados exemplos de como atitudes nossas podem influenciar a genética de nossos filhos e assim o comportamento deles, e por conseguinte as coisas que irão acontecer com eles. Isso seria o destino.

Uma coisa que me chamou a atenção foi que algumas pesquisas parecem estar reitalizando as idéias de Lamarck (lembram dele?). No colegial, quando aprendi sobre evolução, não fiquei muito contente com a explicação sobre o neo-darwinismo que a professora deu. Ela disse que além da seleção natural entre várias espécies, haveria sempre o fator do crossing-over e mutações genéticas aumentando a variabilidade das espécies. Mas me pareceu que mutações aleatórias dariam um número tão grande de possibilidades, que parece não ter havido tempo suficiente para testar muitas, portanto, seria muita sorte as mutações sempre levarem ao indivíduo melhor adaptado. O que essas pesquisas mais recentes dizem, é que os genes não são tão imutáveis como se pensava, e que os fatores do ambiente podem influênciar mutações lentas, o que finalmente bateu com a minha intuição e me deixou mais satisfeito ^__^

Eu achei legais as informações e as pesquisas e acredito nesses resultados. Mas como sempre, eu gosto de olhar pra esses fatos adicionando outros pontos de vista, no caso filosofias orientais hehe.

Coincidência ou não, estava lendo também o “Sentido da Vida”, que é uma tradução de uma palestra do Dalai Lama. Achei que seria um livro mais voltado à ética ou auto-ajuda, mas na verdade é uma explicação técnica da roda cármica e a filosofia de causa e efeito do budismo/hinduísmo, e algumas partes me lembram muito a semiótica do Peirce. Isso acabou contribuindo para a análise dessa questão do Destino, levantada pela revista.

Quem me conhece talvez já tenha me ouvido falar que, a respeito de evolução, acho que as mutações são direcionadas pela consciência, dessa forma sendo mais efetivas. Segundo o Dalai, entre uma existência e outra, isto é, no momento anterior à reencarnação, sobra apenas a consciência mais sutil, desprovida de todas as características da consciência mais grosseira, como idioma, nome, paixões, etc, entretanto esta consciência carrega o carma acumulado nas diversas vidas e está preparada para gerar uma nova vida(efeito) resultada por alguma ação ocorrida em alguma das vidas passadas (causa). Nesse sentido, a cosciência sutil já sabe -ou já escolheu- quais serão as predisposições e as adversidades para aquele novo ser. A consciência escolheria um óvulo (ou coisa que o valha no caso de reencarnação em outras espécies) cujos pais e o entorno proporcionariam as situações almejadas para aquela nova vida. Uma pessoa poderia nascer bonita, ou feia, ou doente, etc.

Perguntaram ao Dalai se no caso de uma pessoa morrer atingida por um raio, a consciência é que teria criado o raio. O Dalai disse que não, mas que essa onisciência sutil poderia ter posicionado a pessoa em baixo do raio. Assim, assim um carma que geraria um psicopata na próxima existência, escolheria um feto portador do “gene-guerreiro” e que desenvolveria inatividade do córtex órbito-frontal e cujos pais seriam propensos à abusos ( as três características genéticas comuns aos psicopatas, segundo a matéria da Super).

Outra coisa que já devem ter me ouvido falando por aí, é que acho que qualquer coisa que procurarem por uma causa genética eu acho que vão encontrar. Simplesmente porque a matéria é o meio pelo qual as coisas imateriais têm para se manifestar. Assim como o som só existe na presença de máteria que vibra, uma intenção é acompanhada por variações hormonais. Essa relação intrínseca entre pensamento e corpo é objeto de estudo da ciência tradicional e gostaria de estudar um pouco mais sobre isso. De qualquer forma, os ciêntistas indianos parece que vão mais longe nas consequências disso. O endocrinologista Deepak Chopra fala sobre os poderes da mente em processos de cura e o físico Amit Goswami defende que a consciência sutil faz colapsar as ondas de possibilidade quânticas, gerando realidades concretas. Por consequência, o corpo sutil teria mesmo algum controle sobre o corpo físico e a matéria em geral!

Haha eu sei que é tenso, mas ao ler a matéria sobre os psicopatas, foi inevitável indagar se a consciência no momento da reencarnação não escolheria apenas os possíveis pais abusivos e ela mesma não influenciaria o material genético do feto a desenvolver as outras duas características para então gerar um possível psicopata.

Bom, isso é uma amostra de como penso, não necessariamente acredito em uma ou outra hipótese, mas gosto de conseguir enxergar as duas.

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Coincidência ou não

Postado em Filosofia de Buteco, Sem categoria em dezembro 25th, 2010 por Rafael

Aconteceram algumas coisas interessantes (para a minha imaginação fértil apenas) que me fizeram querer escrever por aqui de novo. Apenas coisas banais, que minha cabeça começou a relacionar.

Uma vez minha professora de Sociologia ficou visivelmente irritada, quando eu comentei numa discussão que a internet parecia ajudar a enxergar que o comportamento humano numa escala macro parece um cardume de peixes. Eu quis dizer que é engraçado ver as tendências, as modas pegando, e a internet parece ajudar a visualizar esse processo. Acho que se eu tivesse colocado dessa maneira ela não teria ficado nervosa. De qualquer forma, lembrei disso outro dia quando estava procurando algum vídeo bobo na internet e achei o Joel Santana Auto-tune.

Na hora, me lembrei que o Pedro Oliveira, tinha comentado sobre “auto-tunes” muito tempo atrás. O Pedro é o cara que, pra mim, sempre esteve na vanguarda do que viria a ser moda. Ele me mostrou o twitter tanto tempo antes de o negócio pegar, que eu simplesmente não entendia para o que aquilo podia servir. Como na vez do twitter, nem prestei atenção do negócio dos “auto-tunes” na época e só agora resolvi checar. Achei engraçado, vi mais alguns relacionados, dei risada e depois fui ver TV. Para a minha surpresa, a mensagem de encerramento do fantástico era um auto-tune com os globais e a música que encerrou o Pânico na TV era o auto-tune do Zagallo!

Eu não sei se isso é uma modinha, se vai aparecer mais vezes ou não. O interessante foi a coincidência. Tanto de ter visto na TV o que eu tinha visto no youtube, quanto de mais uma vez o Pedro ter sido “profético” haha. Lembrei também de uma vez, quando era pequeno, ouvir minha vó usar a palavra “ensejo”, e de perguntar o significado dela, pois não conhecia. Naquela mesma semana ouvi ou li “ensejo” em vários lugares. Não acho que seja coincidência, acho que é aquele negócio de você descobrir uma coisa e aí sim conseguir achar ela por aí. Tipo, acho que nunca tinha reparado o quanto se usa Monotype Corsiva por aí até ter usado ela num trabalho. Mas ainda no assunto das coincidências, quando cheguei aqui em Itanhaém, meu irmão estava abrindo a Superinteressante do mês que vem (jan 2011, 287), que fala sobre Destino.

Comecei a ler a matéria, mas ainda não terminei. De qualquer forma, ela começa falando que nosso cérebro tem um defeito genético que nos faz procurar sentido em tudo. E logo em seguida diz algo como “você vai entender do que estou falando, Rafael”. O autor completa dizendo que se o leitor se chama Rafael, ele provavelmente se sentirá especial. Bom, eu me chamo Rafael, e por mais que eu estivesse ciente de que ele estava brincando com probabilidades, tenho que admitir que é difícil não ficar intrigado. Até o terceiro ano de faculdade, eu nunca tinha sido o único Rafael da classe, então não deveria estranhar, mas não é o que acontece no primeiro contato com uma coincidência.

Para completar, ganhei de presente o livro “O Andar do bêbado-como o acaso determina nossas vidas“, de Leonard Mlodinow. Nada aleatório, já que eu pedi ele na nossa listinha, assim como também não acho estranho o fato de ter ganhado dois dele! O livro fala justamente sobre aleatoriedade  e discute a nossa dificuldade nata de interpretar eventos não-correlatos. Parece bem interessante e divertido. Vou ler os dois, a matéria e o livro, e depois tento compartilhar o que achei. ^___^

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Nenhum Apetite pelo Caos

Postado em Filosofia de Buteco, Sem categoria em janeiro 10th, 2010 por Rafael

Estava aqui lendo esse artigo do Wanderley Costa, que vai de encontro com meus interesses atuais: Design voltado à formação, à educação. É muito bem escrito e informativo, e funciona como uma extensão do assunto do 12° capítulo do livro, onde falo um pouco sobre a importância da criatividade e seu desenvolvimento.  Como o artigo é focado específicamente nisso,  conceitua e explana muito melhor algumas coisas que quis dizer. Pontua, por exemplo, os fatores que podem estimular ou inibir o espiríto criativo -onde aparece esse termo usado no título- e à medida que vou lendo vou ora me identificando com algumas passagens ora identificando outros.

O divertido foi que comecei a lembrar que eu sempre quis fazer as coisas do meu jeito. Não necessariamente numa atitude rebelde, mas mais numa coisa de customização. E isso foi em tudo. Inclusive no Skate. Aliás, eu me arrependo um pouco por não ter falado sobre skate no livro, talvez eu compense com esse post. Eu comecei a andar de skate meio do nada, meu irmão mais novo ganhou um e eu fiquei com vontade tb. Nunca andei em rampa, sempre na rua, na calçada, e isso é o que eu acho interessante. Quando se brinca na rua, o skate não tem regra, nem muita previsibilidade, é um esporte de adrenalina onde você tem que olhar e interpretar rapidamente todo o caos urbano para com sua criatividade fazer uma obra de arte em movimento ou ao menos se safar de um acidente feio. Por mais que você brinque sempre na mesma rua, a dinâmica do espaço público faz com que aquilo esteja sempre mudando: podem ter carros passando, estacionados, um buraco novo, um caixote, pneu, tapume, etc.. Eu poderia passar um tempão aqui falando sobre como eu acho que essa atividade de agir em movimento e tomar decisões como flashs prepara a mente para outras situações, mas fica pra um outro post.

Eu queria mesmo era comentar que logo quando comecei a andar, e aprender algumas manobras, não deu outra, eu quis inventar as minhas. E até fiz algumas mesmo como o silent-flip, backfoot-grab e outras, mas nunca fui bom ou influente o suficiente para que elas se espalhassem por aí. Eu reparava que a maioria da galera gostava era de aprender algumas manobras, como se tivesse uma lista pronta do que eles poderiam aprender e acrescentar nas linhas, mas pouca gente parecia imaginar um giro novo ou algo assim.

Conforme eu fui gostando e conhecendo mais de skate, eu fiquei sabendo sobre o Rodney Mullen. Descobri que esse cara foi um dos que inventou a maioria das manobras que a gente usa até hoje. E ele continua inventando! O que queria dizer não é que a galera que anda por aí não seja criativa, mas sim que a criatividade pode se manifestar em diferentes aspectos, desde que seja propiciado um ambiente estimulante e receptivo à novas idéias e atitudes. E os resultados disso, as novidades que podem surgir em um ambiente assim, podem ser tão impressionantes quanto ver o Rodney Mullen destruindo por aí.

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Loki

Postado em Filosofia de Buteco, Sem categoria em dezembro 20th, 2009 por Rafael

Embora boa parte do projeto esteja explicada no relatório, ainda quero utilizar esse espaço para comentar melhor (e mais livre) o que foi feito. Mas é importante para mim, largar do livro em si, e levar o Projeto Mutante adiante, com coisas novas, mais pertinentes ao conteúdo do livro, do que a confecção dele.

Por isso pretendo escrever sobre outras coisas e de tempo em tempo volto a falar sobre o projeto do livro. Sem contar que ainda quero dar uma revisada nesse site que foi feito muito toscamente e também poder fazer a Realidade Aumentada funcionar.

Mas por hora queria comentar que ví ontem o LOKI, o documentário sobre o Arnaldo Baptista, dOs Mutantes. Achei lindo. É uma história que tem um drama psicológico, sentimental muito profundo, fica nítido. Mas também fica nítida a capacidade de atingir pessoas que tem uma coisa feita com o coração. O cara viveu muito intensamente a música dele, o espírito criativo é realmente indomável. Tanto que após tanta coisa, foi praticamente o que sobrou. Pode parecer triste, e na maior parte do tempo é, mas também é feliz. Num jeito meio estranho, diferente daquele que normalmente a gente espera, mas é. Depende de como você prefere enxergar.

Lembro que “A Balada do Louco” foi uma das músicas que mais mexeu comigo quando moleque. Principalmente o refrão, na parte do “brrrrlááá! etchitchêtchã” não só por ser uma coisa que até então nunca tinha ouvido em música, mas por ser representativo de liberdade, ou de um anseio por libertação. Por que as vezes é difícil mesmo se sentir livre. Mesmo que para soltar um urro numa música. Li também uma crônica (que na verdade não gostei), mas no começo dela o autor comenta que hoje em dia é mais tranquilo você “assumir que tem relações sexuais com um doberman, do que falar sobre Deus”. De certa forma me identifiquei com isso. Acho que o que acaba fazendo uma correlação é o fato de trazer para um contexto específico uma coisa ligeiramente fora. Talvez os grunhidos dos Mutantes não fosse nada de mais olhado em isolado, mas no contexto da música brasileira -e popular- daquele momento, ele fosse dissonante. Assim como falar de Deus para estudantes de Design.

Essas coisas polulam minha mente enquanto preencho o cadastro para o ISBN do meu livro. Tem aqui que escolher uma opção genérica para “Assunto” haha e para variar não sei onde encaixo esse texto, mas vá lá, fico com Filosofia, mesmo que bem vã.

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