Improvável

Postado em Filosofia de Buteco, Sem categoria em janeiro 6th, 2011 por Rafael

Agora sim, estou lendo o “O Andar do Bêbado”. Muito boa leitura, por sinal. O cara tem um encadeamento de idéias bem dinâmico e humorado, acho só que as vezes ele usa um ou outro cálculo meio abruptamente.

Das ciosas que foram tratadas com mais ênfase até agora, as mais interessantes foram as pegadinhas da nossa mente no campo da incerteza. Estudos indicam que  nós temos tendência a criar imagens mentais na hora de intuir probabilidades, e elementos que amplifiquem essa imagem mental, tendem a nos fazer crer mais na possibilidade dessa cena. É dado como exemplo, a quantidade de mendigos com problemas mentais que achamos que existem. Como os mendigos loucos costumam cativar mais nossa mente, é capaz que imaginemos que eles existam em maior quantidade. Histórias bem contadas também parecem ser mais prováveis que verdades amenas. E por fim, um dos estudos mais interessantes tem a ver com as próprias leis da probabilidade.

Deram a um grande números de pessoas uma descrição de uma mulher chamada Linda, inteligente, solteira, e outras características que levariam a crer que ela pudesse ser uma militante feminista. Em uma lista de 3 hipóteses as pessoas deveriam indicar as respectivas probabilidades, e a média foi algo como:

Linda é feminista – 90%

Linda é bancária e feminista – 55%

Linda é bancária – 20%

O fato de acreditarmos mais na hipótese da Linda feminista faz com que a segunda hipótese pareça mais convincente que a terceira. O absurdo disso é que a probabilidade de dois eventos independentes um do outro ocorrerem juntos (ser bancária + ser feminista) deve ser sempre menor do que a probabilidade de apenas um dos eventos ocorrer! Por exemplo, eu ganhar o prêmio máximo de um sorteio é uma coisa rara, mas é mais raro ainda, eu ganhar esse prêmio e em seguida perder, não concordam?

Pois isso aconteceu…

Na festa de fim de ano da MStech, houve um sorteio de vários prêmios pequenos e um prêmio-surpresa no final. Só que antes do sorteio chamaram um animador de festas irritante, e eu quis ir para a piscina. Fiquei com um pressentimento ruim e perguntei para uma das organizadoras sobre isso. Ela me disse que eu poderia ir nadar que não haveria problema. Quando saí da piscina com a Lu, ficamos sabendo que eu havia ganhado uma viagem para a Bahia, e que por não estar presente sortearam outra pessoa!

Veja que improvável: a possibilidade de eu ganhar o prêmio máximo x a probabilidade de eu estar nadando x a probabilidade de alguém da organização ter me tranquilizado antes!

Eu poderia adicionar aí a probabilidade de eu ter tido um pressentimento negativo antes. Mas o fato é que eu estou sempre tendo pressentimentos negativos, bem como mini-sonhos tipo abrir a caixa de correio e ter muito dinheiro lá. Sei também que isso foi um dos fatores que me levaram a consultar a Lilian, e que a resposta dela aumentou a probabilidade de eu ir nadar.

Mas isso me lembrou um  programa no NatGeo, que falava sobre a possibilidade das pessoas preverem acontecimentos. No meio da baboseira, o que me chamou a atenção, foi um experimento onde centenas de máquinas eletrônicas espalhadas pelos EUA ficavam gerando aleatoriamente “caras” e “coroas” (resultados binários, ou um ou outro) e era mantido um gráfico disso. O surpreendente foi ver que elas apresentaram uma curva muito anormal, tendendo apenas para um dos resultados nas horas que antecederam a colisão dos aviões com as torres gêmeas. Ou seja, nas horas anteriores ao choque, caíram muito mais caras do que coroas.

Óbviamente isso me lembra a explicação do I Ching, onde a natureza é vista como se movimentando dentro de padrões. Imagine que no caos exista um tipo de gráfico como esse das máquinas, e que isso condicione os movimentos na natureza, dentre eles a psique humana e as moedas furadas. Como Leonard Mlondilow diz, em sequências aleatórias sempre há picos de resultados raros. O caos não seria exceção, e entendendo ele como uma teia que transmite seu movimento à outros movimentos da natureza, não estranharia tanto que as pessoas tivessem pressentimentos, as moedas caíssem mais em caras e acontecimentos extraordinários ocorressem ao mesmo tempo.

Podemos linkar isso à questão da consciência condicionando a incerteza quântica, citada no post anterior. Assim, a consciência também teria poder de gerar resultados no caos, os quais se transmitiriam através de sua teia, condicionando eventos “independentes”. Mas isso fica para uma próxima hehe ^__^

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Realidade “Crescida”

Postado em E-book, Making Of em janeiro 3rd, 2011 por Rafael

Finalmente -depois de um puxão de orelha da minha mãe, vejam só- resolvi liberar alguma coisa da realidade aumentada aqui! Infelizmente, nunca mais consegui trabalhar nisso após ter terminado a faculdade. A grande dificuldade, maior que o tempo escasso, é não entender tão bem AS3 e algum problema aconteceu por conta da mudança de lugar dos arquivos ou alguma coisa renomeada. Eu sei que é um erro bobo, mas isso realmente me desanima.

Vou ver com os amigos do trabalho, que mandam muito bem em AS3 se alguém toparia me ajudar a dar uma melhorada nisso, mas em respeito a quem ficou curioso para ver alguma coisa funcionando, estou postando esse exemplo.

Se você é possuidor de um livro Design – Projeto Mutante e uma webcam, permita que o programinha acesse sua câmera, abra seu livro no Capítulo 3: Projétil, página 25, e aponte para a câmera.

clique aqui para abrir o programa

A intenção a princípio era trazer as animações do e-book para o livro físico, mas acredito que poderia fazer algo muito mais interessante. Aliás, quem ainda não conhece, dê uma olhada no livro eletrônico, não para ler exatamente, mas para dar uma checada nos links escondidos. Tem coisas interessantes lá!

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Samsara?

Postado em Filosofia de Buteco, Sem categoria em janeiro 1st, 2011 por Rafael

Feliz Ano Novo!

Continuando o post antes do anterior, vou voltar a falar sobre predeterminações. Não consegui ainda ler o livro “O Andar do Bêbado”, é claro, mas terminei de ler a matéria da Super sobre destino e uma outra matéria de uma edição anterior sobre como a genética pode identificar um psicopata.

A matéria sobre destino, dá a entender no começo, que falará sobre coincidências muito grandes como encontrar exatamente uma pessoa que você queria encontrar em algum lugar improvável. Mas fala um pouquinho sobre astrologia e horóscopo e depois continua principalmente falando sobre pré-disposições genéticas.
Algumas coisas são muito interessantes como os estudos com gêmeos separados no nascimento que tem hábitos e manias praticamente iguais. No geral, são apresentados exemplos de como atitudes nossas podem influenciar a genética de nossos filhos e assim o comportamento deles, e por conseguinte as coisas que irão acontecer com eles. Isso seria o destino.

Uma coisa que me chamou a atenção foi que algumas pesquisas parecem estar reitalizando as idéias de Lamarck (lembram dele?). No colegial, quando aprendi sobre evolução, não fiquei muito contente com a explicação sobre o neo-darwinismo que a professora deu. Ela disse que além da seleção natural entre várias espécies, haveria sempre o fator do crossing-over e mutações genéticas aumentando a variabilidade das espécies. Mas me pareceu que mutações aleatórias dariam um número tão grande de possibilidades, que parece não ter havido tempo suficiente para testar muitas, portanto, seria muita sorte as mutações sempre levarem ao indivíduo melhor adaptado. O que essas pesquisas mais recentes dizem, é que os genes não são tão imutáveis como se pensava, e que os fatores do ambiente podem influênciar mutações lentas, o que finalmente bateu com a minha intuição e me deixou mais satisfeito ^__^

Eu achei legais as informações e as pesquisas e acredito nesses resultados. Mas como sempre, eu gosto de olhar pra esses fatos adicionando outros pontos de vista, no caso filosofias orientais hehe.

Coincidência ou não, estava lendo também o “Sentido da Vida”, que é uma tradução de uma palestra do Dalai Lama. Achei que seria um livro mais voltado à ética ou auto-ajuda, mas na verdade é uma explicação técnica da roda cármica e a filosofia de causa e efeito do budismo/hinduísmo, e algumas partes me lembram muito a semiótica do Peirce. Isso acabou contribuindo para a análise dessa questão do Destino, levantada pela revista.

Quem me conhece talvez já tenha me ouvido falar que, a respeito de evolução, acho que as mutações são direcionadas pela consciência, dessa forma sendo mais efetivas. Segundo o Dalai, entre uma existência e outra, isto é, no momento anterior à reencarnação, sobra apenas a consciência mais sutil, desprovida de todas as características da consciência mais grosseira, como idioma, nome, paixões, etc, entretanto esta consciência carrega o carma acumulado nas diversas vidas e está preparada para gerar uma nova vida(efeito) resultada por alguma ação ocorrida em alguma das vidas passadas (causa). Nesse sentido, a cosciência sutil já sabe -ou já escolheu- quais serão as predisposições e as adversidades para aquele novo ser. A consciência escolheria um óvulo (ou coisa que o valha no caso de reencarnação em outras espécies) cujos pais e o entorno proporcionariam as situações almejadas para aquela nova vida. Uma pessoa poderia nascer bonita, ou feia, ou doente, etc.

Perguntaram ao Dalai se no caso de uma pessoa morrer atingida por um raio, a consciência é que teria criado o raio. O Dalai disse que não, mas que essa onisciência sutil poderia ter posicionado a pessoa em baixo do raio. Assim, assim um carma que geraria um psicopata na próxima existência, escolheria um feto portador do “gene-guerreiro” e que desenvolveria inatividade do córtex órbito-frontal e cujos pais seriam propensos à abusos ( as três características genéticas comuns aos psicopatas, segundo a matéria da Super).

Outra coisa que já devem ter me ouvido falando por aí, é que acho que qualquer coisa que procurarem por uma causa genética eu acho que vão encontrar. Simplesmente porque a matéria é o meio pelo qual as coisas imateriais têm para se manifestar. Assim como o som só existe na presença de máteria que vibra, uma intenção é acompanhada por variações hormonais. Essa relação intrínseca entre pensamento e corpo é objeto de estudo da ciência tradicional e gostaria de estudar um pouco mais sobre isso. De qualquer forma, os ciêntistas indianos parece que vão mais longe nas consequências disso. O endocrinologista Deepak Chopra fala sobre os poderes da mente em processos de cura e o físico Amit Goswami defende que a consciência sutil faz colapsar as ondas de possibilidade quânticas, gerando realidades concretas. Por consequência, o corpo sutil teria mesmo algum controle sobre o corpo físico e a matéria em geral!

Haha eu sei que é tenso, mas ao ler a matéria sobre os psicopatas, foi inevitável indagar se a consciência no momento da reencarnação não escolheria apenas os possíveis pais abusivos e ela mesma não influenciaria o material genético do feto a desenvolver as outras duas características para então gerar um possível psicopata.

Bom, isso é uma amostra de como penso, não necessariamente acredito em uma ou outra hipótese, mas gosto de conseguir enxergar as duas.

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