Nenhum Apetite pelo Caos

Postado em Filosofia de Buteco, Sem categoria em janeiro 10th, 2010 por Rafael

Estava aqui lendo esse artigo do Wanderley Costa, que vai de encontro com meus interesses atuais: Design voltado à formação, à educação. É muito bem escrito e informativo, e funciona como uma extensão do assunto do 12° capítulo do livro, onde falo um pouco sobre a importância da criatividade e seu desenvolvimento.  Como o artigo é focado específicamente nisso,  conceitua e explana muito melhor algumas coisas que quis dizer. Pontua, por exemplo, os fatores que podem estimular ou inibir o espiríto criativo -onde aparece esse termo usado no título- e à medida que vou lendo vou ora me identificando com algumas passagens ora identificando outros.

O divertido foi que comecei a lembrar que eu sempre quis fazer as coisas do meu jeito. Não necessariamente numa atitude rebelde, mas mais numa coisa de customização. E isso foi em tudo. Inclusive no Skate. Aliás, eu me arrependo um pouco por não ter falado sobre skate no livro, talvez eu compense com esse post. Eu comecei a andar de skate meio do nada, meu irmão mais novo ganhou um e eu fiquei com vontade tb. Nunca andei em rampa, sempre na rua, na calçada, e isso é o que eu acho interessante. Quando se brinca na rua, o skate não tem regra, nem muita previsibilidade, é um esporte de adrenalina onde você tem que olhar e interpretar rapidamente todo o caos urbano para com sua criatividade fazer uma obra de arte em movimento ou ao menos se safar de um acidente feio. Por mais que você brinque sempre na mesma rua, a dinâmica do espaço público faz com que aquilo esteja sempre mudando: podem ter carros passando, estacionados, um buraco novo, um caixote, pneu, tapume, etc.. Eu poderia passar um tempão aqui falando sobre como eu acho que essa atividade de agir em movimento e tomar decisões como flashs prepara a mente para outras situações, mas fica pra um outro post.

Eu queria mesmo era comentar que logo quando comecei a andar, e aprender algumas manobras, não deu outra, eu quis inventar as minhas. E até fiz algumas mesmo como o silent-flip, backfoot-grab e outras, mas nunca fui bom ou influente o suficiente para que elas se espalhassem por aí. Eu reparava que a maioria da galera gostava era de aprender algumas manobras, como se tivesse uma lista pronta do que eles poderiam aprender e acrescentar nas linhas, mas pouca gente parecia imaginar um giro novo ou algo assim.

Conforme eu fui gostando e conhecendo mais de skate, eu fiquei sabendo sobre o Rodney Mullen. Descobri que esse cara foi um dos que inventou a maioria das manobras que a gente usa até hoje. E ele continua inventando! O que queria dizer não é que a galera que anda por aí não seja criativa, mas sim que a criatividade pode se manifestar em diferentes aspectos, desde que seja propiciado um ambiente estimulante e receptivo à novas idéias e atitudes. E os resultados disso, as novidades que podem surgir em um ambiente assim, podem ser tão impressionantes quanto ver o Rodney Mullen destruindo por aí.

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