Capitulares

Postado em ilustração, Making Of, Tipografia em agosto 31st, 2009 por Rafael

A definição desse conceito incentivou um longo tempo de pesquisa e produção. Eu já estudava essas coisas por vontade própria, mas utilizar isso para o projeto tornou a coisa mais interessante ainda. Após a capa, retomei as capitulares. Já postei isso antes, mas aqui fica mais contextualizado hehe.

Cada capítulo possui sua própria capitular, com um hexagrama do i-ching que representa o sentido geral do capítulo, além de outros elementos como runas nórdicas, hieroglifos maias ou egípcios, inscrições em sânscrito, e símbolos em geral que reforçam o sentido do hexagrama ou apontam para outros conteúdos do capítulo. Algumas letras como os Es, possuem um espaço grande vazio, que foi tomado com liberdade para um desenho mais livre.

Capitulares

Esse conceito também deveria ser aplicado às ilustrações do texto, mas como aplicar isso se mostrou muito mais difícil do que eu imaginava, o que levou a muitas ilustrações descartadas que provavelmente só vão figurar neste blog hehe, portanto fiquem ligados haha

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*andamento

Postado em Sem categoria em agosto 31st, 2009 por Rafael

Pessoas, a pequena pausa nos posts aqui foi devida ao próprio projeto. Dei uma adiantada forte e importante em algumas coisas e acabei de mandar a capa para a gráfica, imprimir o fotolito!

Pra falar a verdade esse momento foi adiado tantas vezes que tava achando que era capaz de não acontecer. Bom, vamos que vamos, e terminar logo esse extenso e “expensivo” trabalho.

bjos

*mudanças

Postado em Sem categoria em agosto 28th, 2009 por Rafael

Como disse, esse espaço aqui vai ficar sofrendo atualizações e alterações sempre que eu tiver tempo. hehe

Ontem sobrou um tempinho e eu fiz uma Ação no Photoshop (beeem tosquinha haha) pra gerar miniaturas pras imagens que quero postar aqui.

bjos

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Evolução

Postado em ilustração, Making Of em agosto 26th, 2009 por Rafael

Para dar uma idéia de como a fixação de alguns elementos chave influenciou as ilustrações vou colocar as etapas pelas quais a capa passou hehe.

Como  mostrado, esse foi o primeiro esboço, bem livre, com uns abstratos e alguns simbolos batidões.

Primeiro esboço

Esse é o esboço reformado no ilustrator. Eu sou muito ruim no ilustrator, e era pior ainda na época,  isso fez sair um desenho que não tinha muita identificação comigo. Os abstratos que são mais a minha cara deram espaço para mais símbolos batidões…

Depois de definir aquelas diretrizes, defini as capitulares e reformulei a capa.

Essa é a versão ilustrator da capa e contra-carpa reestruturada com os elementos melhor definidos

Essa última eu gostei bastante, foi finalizada no começo desse ano e me fez achar que o livro estava pronto. Mas no fundo algo não batia bem, e resolvi falar com a Cássia, professora de tipografia da Lu, que trabalha com livros.

Aí mutou tudo de novo haha

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Elementos do Estilo pt2

Postado em ilustração, Making Of em agosto 24th, 2009 por Rafael

Foi durante o N Manaus, em 2008, que fixei pela primeira vez os elementos que comporiam a identidade visual do livro. Inspirado pelo Continente perdido de Mu, comecei a pesquisar mais sobre simbologias das culturas que me interessavam e que de alguma forma interpretavam o mundo de maneira parecida com a que eu interpreto no livro. Arranjei um outro livro, Deuses, Túmulos e Sábios -esse sim de arqueologia mesmo- que conta de uma maneira romanceada os grandes feitos da arqueologia.  Confesso que tudo isso até me tirou um pouco dos trilhos, mas eu tinha tempo suficiente para viajar.

Depois de estudar bastante, rabiscando num bloquinho, saiu a idéia de que o tal do padrão do “novo mito” que eu tinha escrito lá longe, no rabiscão do conceito original, poderia ser uma mestiçagem de vários signos antigos, que serviriam como uma história secreta, um código que decifrado, daria uma nova interpretação à algumas passagens do texto.

O legal é que eu fui anotando o que deveria juntar: ícones chineses, hindus e científicos que somados à mais alguns davam uma coisa muito Sun Ra! haha achei engraçado e saquei que aquilo fazia muito sentido, afinal, sempre me inspirei de alguma forma nele.

Assim, os desenhos foram tomando forma e mais coerência entre si. Mas ainda havia um grande percurso pela frente.

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Estilo dos Elementos

Postado em ilustração, Making Of em agosto 20th, 2009 por Rafael

Então eu tinha um texto e vontade de ilustrá-lo. Tinha uma idéia do aspecto geral que o visual dele deveria passar, mas ainda precisava definir elementos mais específicos, o traço, o acabamento, o peso, volume e principalmente os símbolos e signos. Toda produção capta símbolos ao seu redor e os mescla, resignificando-os, atualizando-os em algo novo. Ou seja, tudo que eu fizer vai ter cara de alguma coisa e vai se valer de elementos específicos que eu escolher usar. O que me faltava era escolher e definir esses elementos.

Eu já tinha uma idéia vaga de que deveria usar alguns elementos da cultura hindu, visto que me identifiquei muito com ela enquanto escrevia o texto, mas não queria só fazer uma decoração indiana no texto, queria algo mais. Aconteceu de, num certo dia, eu e a Lu irmos num sebo daqui de Bauru. Ela queria comprar um livro e eu entrei junto, nem ia levar nada, quando de repente ví lá no fundo um livro chamado O Continente Perdido de Mu! Tive que comprar haha! Mu era o nome de uma música do Sun Ra, que sempre me intrigou.

Foi essa razão que me levou a comprá-lo. Não sabia eu, porém, que no texto o autor, um coronel pseudo-arqueólogo discorre justamente sobre símbolos e signos de culturas ancestrais. O livro foi muito divertido de ler, o cara conta uma revisão maluca de toda a evolução da humanidade, apoiando suas teses na decifração de signos recorrentes em todas as culturas arcaicas, que seriam reminescencias de Mu.

O que importa para o projeto nisso, é a idéia de que elementos aparentemente decorativos -como se supunham os hieroglífos- podem esconder uma linguagem, muitas vezes intrincada, podendo inclusive, alterar totalmente a interpretação do contexto onde se insira. De certa forma isso ajudava a dar um propósito aos desenhos que gostaria de fazer. Como disse em algum outro post, o texto não necessita de ilustrações. Elas não precisam ser explicativas, e assim ganham a liberdade de contar uma história paralela ou indicar de certa maneira uma outra leitura para tudo aquilo.

Esse desenho aqui foi a primeira versão da capa (que passou por muitas mudanças). Ela foi feita num dia bem inspirado, escutando Sun Ra e deixando a mão fluir. Eu não pensei em muita coisa enqto fazia, mas nela dá pra perceber a falta de acerto no uso de signos: junto com os rabiscões abstratos tem um yin-yang, um Om, caneta e lápis, uma lótus estilizada, nuvenzinhas, hexagramas e etc. Eu gosto até hoje da disposição das coisas mas essa simbologia precisava ser revista.

Primeira Capa

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Elementos do Estilo

Postado em Making Of, Tipografia em agosto 18th, 2009 por Rafael

Como disse no fim do post anterior, a falta de verba e vontade de fazer coisas por conta própria sempre me estimularam a encarar desafios interessantes. No caso, o desenvolvimento de uma tipografia pro livro. Fora a procura por uma fonte híbrida para texto ou títulos eu também estava em busca de um conjunto de capitulares

A primeira citação do texto é do William Morris, cujo trabalho, inspirado na natureza, rico em detalhes dedicação, muito me inspira. Para dar o livro aquela aparencia detalhista, meio clássica meio sacra, pensei em dar ao texto capitulares bem trabalhadas. Fui direto atrás das capitulares desse designer, e achei a Golden Type, que achei em primeiro momento adequada e bem bonita. Mas, mais uma vez, era paga! haha e eu não tinha como comprar ainda. Procurei umas similares free, mas na verdade elas não eram boas, e inclusive a que eu achei melhor ainda tinha incompatibilidade com pdf!

O minicurso do Tipocracia, mais uma vez, foi uma mão na roda. Aprendemos um básico do básico da construção de uma letra, e apartir disso desenvolvi as outras. Peguei as que seriam usadas na abertura dos capitulos emoldurei e imprimi para decorá-las na mão, onde sou mais sincero. Já que faria isso, percebi que não precisava desenhar apenas um “A” como as fontes prontas de uso genérico. Resolvi que apesar de uma letra repetir, eu desenharia uma decoração diferente para cada capítulo, fazendo com que ela tivesse ligação com ele.

Aqui vão algumas etapas do desenvolvimento. O interessante é reparar que os primeiros desenhos, apesar de legais independentemente, não formavam conjunto. A identidade visual estava custando a se definir. E vou puxar como tema do próximo post essa dificuldade e a definição dos elementos que ajudariam a compor o livro.

Sketchs

Primeiros Testes

Produzindo as versões finais

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Tipografando pt3

Postado em Making Of, Tipografia em agosto 15th, 2009 por Rafael

Ainda sobre o conceito que definiria a tipografia do livro, pensei em escolher com um pouco mais de atenção qual seria o tipo, a fonte, do texto. Uma das coisas que tinha imaginado à princípio era que a natureza misturada do texto, que puxa informações de varios lugares diferentes, poderia ser traduzida em uma tipografia híbrida, uma fonte híbrida!

Não sabia direito como fazer isso nem por onde começar a pesquisar, quando, por um acaso desses que acontecem, nosso amigo Henrique Nardi pediu ao coletivo deusmoleque que fizesse o cartaz do seu curso Tipocracia, que ele viria para Bauru, ministrar. Por esse trabalho, pudemos participar da oficina! Isso foi de uma grande ajuda! Aprendi um pouco mais sobre a história dos tipográfos e de suas fontes, em que momento da história estavam inseridos e tal. E conheci a Rotis, de Otl Aicher, uma Semi-Serifada muito estilosa que eu achava que vira em algum lugar. Realmente, beeem mais tarde, descobri que é a fonte do texto do livro Transdesign, do meu orientador, Dorival Rossi.

Gostei muito da fonte, mas ela é paga e na época eu não tinha como gastar dinheiro com isso. Mantive provisóriamente os títulos com Phosphorous, uma fonte que acho legalzinha e trabalhei o texto com Caslon, uma serifada bem clássica, sóbria, de boa leitura e cuja família comporta todas as variações que o texto exigia. Ao mesmo tempo fui procurando outras semi-serifadas e híbridas, misturas de góticas com bastonadas e etc, mas nada caía bem…Até que um ano depois, quando já tinha dinheiro, e ía de fato comprar a Rotis, achei a Museo! Que caiu como uma luva. Mas explicação disso é uma outra história, hehe.

O mais legal é que nesse meio tempo, a falta de dinheiro, a dificuldade de encontrar uma fonte que eu gostasse e o já citado espírito do-it-yourself, me fizeram desenvolver minha própria fonte! hahah que será assunto do próximo post.

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Tipografando pt2

Postado em Impresso, Making Of, Tipografia em agosto 13th, 2009 por Rafael

Dando continuidade ao post anterior, aviso que aquela proporção que aparece na imagem está passando por revisão.

Como eu disse, as proporções da página foram definidas a partir de uma melodia que eu fiz. O tom principal é o Cm, ou dó menor. O intervalo de 3ª menor, (-Mibemol), dá uma cara mais introspectiva e um pouco melancólica para a música. A mancha foi feita com o intervalo entre e o Sol, que dá a 5ª, que é um reforço do tom e está na proporção áurea. As linhas dentro das páginas duplas foram traçadas para encontrar os pontos e proporções áureas e assim encontrar o lugar para a mancha de texto,  as notas laterais, títulos correntes (que caíriam logo no começo) e notas de roda-pé.

Tudo isso parece muito legal, e é. Tanto que durou muito tempo. Mas o problema é que o intervalo de 3ª dá um livro largo. Irritantemente largo. Na proporção que eu fiz ele ficou com 16,3cm por 22,9cm. Ou seja, um pouquinho só maior que um A5. O formato do livro é legal, e serve tranquilamente para a internet, onde o livro abre fácil e muda de tamanho de acordo com a tela. Na mão a história muda um pouco.

As margens externas, onde vão os polegares, são maiores que o necessário, e as internas ficam próximas demais da espinha do livro. Além disso, por pouquinho ele não cabe nos meus bolsos hehe e um detalhe incomodativo é que para imprimir, eu tenho que pagar o preço de um A3 sendo que a maior parte dele é jogada fora.

Não tinha me dado conta disso até agora, justamente porque sempre que ia imprimir um boneco eu o redimensionava para caber em um A4. E é justamente o que estou tentando fazer agora. Redimensioná-lo tentando preservar essas proporções.

Pra quem tiver curiosidade de saber como a melodia soa, gravei um mp3 rapidinho. A proporção é baseada só no primeiro acorde, porque na verdade a música é modal, e varia bastante de tonalidade. Acho que assim como o texto, ela tem momentos mais sóbrios, momentos mais viajados/perdidos, e momentos afobados. Não reparem os errinhos, fazia um tempo que eu não tocava.

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Tipografando

Postado em Making Of, Tipografia em agosto 12th, 2009 por Rafael

Enquanto pensava nos temas para as ilustrações também me preocupava em formatar, diagramar, meu texto  que até então estava escrito no Word com Times New Roman. A primeira medida foi mandar o texto para uma revisão ortográfica, feita pela minha antiga professora de português, Rosana. Enquanto a revisão era feita, além de acrescentar mais coisas haha me dei conta de que a diagramação de um livro recorre a várias regras que eu não conhecia a não ser o que deduzia apartir da observação de outras obras.

Eu estou me formando em Produto, portanto não tive muitas dicas quanto à diagramação de coisa alguma. Como sempre desrespeitei essa divisão, resolvi correr atrás do tempo perdido. Minha idéia era consultar o Prof. Valério, especialista em tipografia da nossa Universidade. Isso se passou durante as férias de 2008, mas na volta às aulas recebi a notícia de que esse professor viera a falecer…

Apesar da perplexidade com o fato, meu instinto punk/do-it-yourself me fez aprender por conta própria.
Peguei com meu amigo Tutu (e mais tarde com a Lulu) o livro Elementos do Estilo Tipográfico. O livro dá uma boa aula de todos os detalhes aos quais os tipógrafos prestam atenção. Enquanto lia, ia tentando aplicar as idéias e fazendo modelos de páginas e manchas.

Aí também me deparei com necessidade de definir o estilo. Fiquei dividido entre fazer uma coisa bem “design” hehe bem inovadora, explorando os limites da tipografia, ou fazer uma coisa clássica, mostrando o domínio do “design invisível”. Fiquei com a segunda, primeiro por uma certa humildade, já que foi meu primeiro trabalho na área, segundo porque muita firula poderia prejudicar a atenção ao conteúdo em si.

Uma das coisas mais interessantes desse processo é que no livro citado, o autor compara um livro com uma composição, e a proporção entre largura e altura das páginas e manchas de texto com as proporções entre os tons em uma música. O que eu fiz? Peguei um violão e durante um tempo improvisei até sentir que toquei algo com a cara do livro (pelo menos a cara q ele tem pra mim). Saiu algo meio Phillip Glass hehe anotei os acordes e apartir da tonalidade defini as proporções do livro.
Eis o resultado

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